quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Xeque ao Rei - Joanne Harris

Joanne Harris é uma autora com um dom raro, consegue manipular a mente do leitor. Atenção, estou a dizê-lo como elogio. 

Com a arte com que escreve e engendra os enredos dos seus livros, Joanne consegue levar-nos por um caminho de raciocínio, quase como se fossemos impelidos a pensar daquela forma. Depois, de um momento para o outro, dá-nos um safanão e acorda-nos para o que é realmente a situação narrada. Mas mais, quando incrédulos vamos reler as passagens que nos tinham levado àquele raciocínio, constatamos que estavam lá todos os indícios para percebermos qual a verdadeira realidade. 

Como conseguiu ela? Com destreza, com inteligência, com uma dose incrível de magia literária. Com um poder de controlo completo sobre a escrita, sobre o uso da palavra. 

A história é muito bem conseguida e bem estruturada. O enredo está bem construído e as personagens bem criadas. Há equilíbrio entre diálogo e descrição e ambos fazem-nos viajar até St. Oswald's, a ouvir o som dos passos nas escadas, a sentir a imponência do edifício.

O livro é, enfim, um livro de Joanne Harris, sempre bons. Mas digo-te, com toda a sinceridade, que aquela rasteira final, aquele little twist, que me fez imaginar a Joanne Harris à minha frente a piscar-me o olho com um sorriso maroto nos lábios, tornou-o num livro marcante.



Sinopse
(retirei da Wook)
Em St Oswald's - uma selecta escola secundária masculina do Norte de Inglaterra - um novo ano escolar acabou de começar, mas para os seus funcionários e alunos sopram ventos indesejados de mudança. Todo um universo de novas tecnologias e valores se tem vindo a impor e Roy Straitley, professor de Latim, excêntrico e já veterano na escola, sente-se excluído e, ainda que de forma relutante, capaz de contemplar a hipótese de se reformar. Mas, por detrás das pequenas rivalidades, disputas infantis e crises quotidianas da escola, agita-se algo mais sombrio. E um rancor, secreta e cuidadosamente alimentado durante treze anos, está prestes a eclodir. Quem é o misterioso autor das cruéis partidas que estão a tornar-se gradualmente mais violentas - e talvez fatais? E como pode um velho, já obscuro e meio-esquecido escândalo tornar-se na pedra que derrubará o gigante?

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Está no nosso coração!

Sim, bem sei que o Dia dos Namorados é uma importação de uma cultura estrangeira. Sim, bem sei que nos devemos ocupar dos nossos amores todos os dias. Sim, sim, eu sei isso tudo.

O que não sei é porque é que não hei-de usar esta desculpa, este motivo para ainda aprofundar mais a demonstração do meu amor? Porquê? Porque hei-de ficar revoltada, resistente e imutável? Porque hei-de recusar esta oportunidade?

Não consigo saber porquê. Mas consigo perceber o quão bom poderá ser cobrir o meu amor de carinho, de ternura, de atenção. Será que isso poderá ser de alguma forma mau? Haverá alguma maneira de o reforço do meu amor neste dia, apenas porque o vendem assim, se tornar numa coisa má?

Ou será que a única coisa que suporta a recusa de aumentar a manifestação do afecto neste dia é a ideia de que não o faço nos dias normais e portanto neste também não vou fazer diferente, só porque há quem queira.  Será que ao resistir não estarei simplesmente a dizer, "nem penses que me convences a ser mais carinhosa hoje, a dar-lhe mais amor hoje, nem penses". Será? 

Celebrar o amor, não é disso que se trata?

Não está na nossa cultura? E depois?  Está no nosso coração!


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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Perdoa-me - Lesley Pearse

Como sabes adoro esta autora. Lesley tem uma forma muito completa de escrever. Escreve bem, sem grandes rasgos de beleza literária, mas com mestria na construção  frásica e descrição de espaços e pessoas. Os seus diálogos são simples, mas permitem-nos conhecer muito bem as personagens, o enredo, bem, aqui reside, para mim, o verdadeiro segredo de Lesley. Os enredos "pearseanos" não são nada de extraordinário, mas a forma como nos são transmitidos e como tudo é misturado por uma escrita fluída, fazem com que os seus, muito grossos, livros sejam lidos em ápices de prazer.

Este não é excepção. O Perdoa-me tem, no entanto, um ingrediente a "menos", não é histórico. O livro conta a história de Eva, uma jovem mulher atual, que se vê confrontada com uma realidade familiar que lhe abrirá uma verdadeira caixa de Pandora. Se pensei que a falta da pitada histórica poderia fazer do livro de Lesley menos delicioso e guloso, enganei-me.

Perdoa-me tem tudo o que faz de Lesley uma das minhas autoras favoritas, é bem escrito, envolvente, com personagens consistentes e descrições na medida certa. Ainda hoje, depois de muito tempo ter passado desde que li este livro, o pequeno jardim das traseiras do estúdio de Flora é recorrente nos meus pensamentos. Pois, é isto que nos fazem os bons autores, transformam os seus pensamentos e criações nas nossas memórias inventadas.


Sinopse
(retirei da Wook)
O instante em que encontrou a mãe sem vida nunca se extinguirá da memória de Eva Patterson. Num bilhete, as suas últimas e enigmáticas palavras: Perdoa-me.
O mundo seguro de Eva ruiu naquele momento devastador. Mas o inesperado suicídio de Flora vai marcar apenas o início de uma sucessão de acontecimentos surpreendentes. No seu testamento, Flora deixa a Eva um estúdio em Londres. Este sítio é a primeira pista para o passado secreto de uma mulher que, Eva percebe agora, lhe é totalmente desconhecida.
No sótão do estúdio, a jovem encontra os diários e os quadros da mãe, provas de uma fulgurante carreira artística mantida em segredo. O que levou Flora a esconder tão fundo o seu passado? Ao aproximar-se da verdade, Eva descobre um crime tão chocante que a leva a questionar-se se alguma vez conseguirá, de facto, perdoar.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

O amor ou o medo?

Hoje trago-te esta pergunta. O amor ou o medo? Dizem que as nossas ações são tomadas com base nestes dois critérios, fazemos por amor ou por medo.

Tenho ouvido esta ideia muitas vezes e sempre me pareceu lógica, mas ao mesmo tempo um conceito um pouco turvo. Ontem, porém, senti-me confrontada com esta escolha de uma forma tão forte que iluminou totalmente a ideia, tornando-a num conceito claro e transparente para mim.

O medo paralisou-me, fez-me duvidar da minha intenção e vontade, fez-me questionar a importância de uma ponte que eu procuro há muito, mas que obrigaria a expor-me e a colocar-me despida de defesas numa situação insondável e passível de gerar emoções que eu não queria viver. Mas naquela fração de segundo em que tive para decidir, perguntei a mim própria "vais caminhar pelo amor ou pelo medo?".

Escolhi o amor e tudo fluiu. Poderá não ter os frutos que eu procuro, mas encontrei algo que não procurava e que me encheu. Encontrei eco, encontrei sintonia, encontrei auto-aceitação e paz.

A Flávia reflecte com muita lucidez sobre o assunto, por isso deixo-te o seu vídeo, ao mesmo tempo que te pergunto, vives a tua vida pelo amor ou pelo medo



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Crónicas da Espada - O Encontro de Fritz Leiber

Tendo sempre apreciado os livros de fantasia que li, um destes dias escolhi o volume I das "Crónicas da Espada" acreditando nas opiniões que conhecia do livro. Diziam-no como uma das melhores fantasias heroicas, entre outros rasgados elogios. Posso dizer, com toda a honestidade e abertura, não lerei a continuação.

Não posso dizer que é um mau livro, mas por várias vezes me perguntei porque o estava a ler e porque não o abandonava. Não me despertou grande interesse, em nenhum momento fiquei curiosa com as páginas seguintes. Não simpatizei com nenhuma das personagens que, aliás, achei parcamente caracterizadas e pouco consistentes.

Aceito que a continuidade das Crónicas poderia dar a estrutura que achei em falta às personagens, mas nem sequer apreciei a descrição, que poderia, pelo cuidado que lhe é posta pelo autor, ser o trunfo da obra. Mas falta-lhe qualquer coisa. Falta-lhe a magia das palavras interligadas, falta-lhe a visão complexa e bem estruturada das cenas/situações. Falta-lhe o pó de pirlim pimpim que faz com que a literatura de fantasia seja tão viciante.

Sinopse
(retirei da Fnac)

Na cidade mágica de Lankhmar, dois homens forjam uma amizade em plena batalha: Fafhrd, um bárbaro gigante do norte gelado, e Rateiro Cinzento, um aprendiz de feiticeiro e exímio espadachim. Estes irmãos de armas começam uma vida de aventuras que os transformará em lendas, enfrentando ladrões, feiticeiros, princesas, e os próprios desejos e medos mais obscuros

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Dia Um...na Cozinha - Cannelloni

Sou fã de cozinha italiana. Gosto do sabor, da textura e acho-a muito reconfortante. No entanto, de há um tempo para cá, tenho apreciado, cada vez mais, alternativas à carne. Gosto muito de pratos vegetarianos e de experimentar o peixe no lugar da tradicional carne. Foi o que decidi fazer este mês. Tirei a carne, normalmente de vaca, e substituí por atum e espinafres. Um sabor diferente, não são os típicos cannelloni, mas são uma alternativa muito saborosa. Gostei e recomendo! Aqui fica a receita.


Cannelloni de Atum e Espinafres

Ingredientes:
1 cebola picada
1 alho picado
Azeite
3 latas de atum ao natural
2 colheres de sopa de polpa de tomate
100g espinafres cozidos
100g molho bechamel
Cannelloni

Preparação:
Pica-se a cebola e o alho e colocam-se num tacho com um fio de azeite e uma folha de louro. Deixa-se refogar até a cebola amolecer.
Escorre-se o atum e junta-se ao refogado, acrescentando-se a polpa de tomate. Deixa-se refogar um pouco em lume brando e juntam-se os espinafres. Tempera-se com sal, pimenta e orégãos e deixa-se em lume brando 1 a 2 minutos.
Recheiam-se os cannelloni e regam-se com molho bechamel. É preciso ter em atenção que entre os cannelloni deve ficar um espaço que permita que cozam uniformemente. Vai ao forno durante 30 min, a cerca de 180º.






terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Estás aliado ao teu futuro?

É curioso como raramente damos conta das ideias que sustêm a nossa motivação para agir. Mas não te iludas, pois muito embora não nos apercebamos delas, são elas que determinam as nossas reações e ações.
É neste pressuposto que te pergunto: Como vês o teu futuro? Como algo que te pertence? Ou como algo que rivaliza com o teu presente?

Quando perspectivas o futuro, quando te imaginas lá longe no horizonte, reconheces-te nessa imagem de ti mais velho? Aceita-la como sendo tu próprio? Ou parece-te um estranho, uma pessoa que desconheces, alguém exterior a ti?

Porque é que isto interessa? Porque a forma como interpretas o teu futuro-eu condiciona a forma como ages e reages no teu presente.

Como? Assim:

Se te identificas com a projecção que fazes de ti próprio para o futuro, então não terás problemas em atrasar as tuas recompensas e o gozo, pois viverás ciente de que os teus esforços de hoje serão colhidos amanhã e sentirás nisso uma grande satisfação. 

Se pelo contrário, não te identificas com o teu eu-futuro, então dificilmente aceitarás esforçar-te, por exemplo em termos físicos com exercícios cardiovasculares, na medida em que a grande recompensa desse esforço só será colhida no futuro por aquela pessoa eu-futuro que tu não vês como sendo tu próprio. Inconscientemente, sentirás que estás a esforçar-te para benefício de outro, que não tu, então, o que retiras tu disso? Nada. E assim desmotivas-te a fazer o que quer que seja para proveito futuro desse ser estranho a ti que é o teu eu-futuro.

De facto, se olhares para o teu eu-futuro como para um estranho, outra pessoa que não tu, qual a razão para beneficiá-lo? Para lhe facilitares-lhe a vida?
Bem, isto significará que tentarás sempre e apenas beneficiar o teu eu-presente, quererás sempre as recompensas imediatas. O teu crescimento e evolução serão menores e claro, será como se estivesses sempre a iniciar, já que não te sentes como sendo um indivíduo em ação contínua.

Reconheces-te nisto? Queres evitar este comportamento? 

Se sim, o segredo é reequilibrares o teu foco e com isso conseguirás mudar o teu comportamento passando de uma ação imediatista para uma vida perspectivada também na construção e no futuro.

Ou seja, serás o teu próprio amigo.