quinta-feira, 29 de junho de 2017

O preço da felicidade - Danielle Steel

Nunca tinha lido Danielle Steel. Já tinha ouvido falar muito sobre a autora, sempre opiniões positivas e foi com grande curiosidade que comprei este livro.

Logo no início senti-me muito desiludida. O estilo de escrita é bastante descritivo, não deixa nada à descoberta, o que me desapontou bastante. Eu gosto de livros que deixam, ao leitor, um papel mais ativo. As personagens são exaustivamente descritas, quer fisicamente, quer em termos psicológicos, quer mesmo em termos da sua história. Os locais são também muito descritos e até mesmo os sentimentos que os personagens têm ao longo dos diálogos não os apreendemos como fruto da nossa interpretação de leitor, mas são nos transmitidos, pormenor por pormenor, pela autora. Enfim, nada é deixado ao livre pensamento do leitor e só isso para mim já retira bastante prazer à leitura.

A história é muito ligeira. Não o conteúdo da história, mas digamos os floreados. Ou seja, Danielle mostra-nos personagens perfeitas. São excelentes pessoas, muito competentes, muito bonitas. São casais que quando entram num restaurante todos param para olhar o belo casal, enfim... É tudo idílico de uma forma muito conservadora.

A história, no entanto, no seu cerne é interessante, principalmente porque a autora se debruça sobre o tema da paternidade/maternidade de uma forma muito realista. Diferentes perspectivas, muitos problemas, opções de abordagem e de resolução diferentes. A este nível gostei da estrutura da história e deixa-me a esperança que sobre outro tema, aqueles aspetos dos quais não gostei possam ser atenuados, mas confesso fiquei com muito pouca vontade voltar a ler Steel.


Sinopse
(retirei da Wook)
Logo a seguir ao seu casamento com Andrew, Diana sugere em tom de brincadeira que irá engravidar durante a lua-de-mel. Muito tempo depois, ainda não está grávida. E enquanto cada mês que passa lhes traz uma nova desilusão, Diana e Andrew terão de questionar até onde estarão dispostos a ir por um filho. 
Charlie sonha com uma casa cheia de filhos. Porém, a sua noiva tem outros planos. Quando Charlie descobre que é estéril, terá de repensar os seus valores - e o seu casamento com uma mulher que não partilha os mesmos sonhos que ele. 
Ao fim de dez anos de vida em comum, Pilar decide casar com Brad Coleman, 19 anos mais velho do que ela e pai de dois filhos adultos. Apesar de a vida a dois ter sido satisfatória, Pilar não consegue deixar de pensar se algum dia se arrependerá de não ter tido filhos com Brad. Contudo, será uma gravidez tão tardia arriscada? E que diz do facto de o marido estar prestes a ser avô? 
Através da vida destes casais, Danielle Steel mostra-nos as venturas e desventuras de quem pretende constituir uma família.

terça-feira, 27 de junho de 2017

O teu Ninho

E assim foi que junho passou e chegámos ao fim do capítulo sobre gestão da casa. Hoje é o último post sobre este assunto, em julho vamos reflectir sobre a gestão familiar. Mas antes de fechar este capítulo não podia deixar de te dizer isto:

Imagem
A tua casa é tua, 
é suposto ser o teu ninho, 
o local onde vais recuperar energia, 
onde chorarás ou suspirarás quando te sentires triste, 
onde poderás saltar e fazer figuras engraçadas quando te sentires alegre e entusiasmado. 
A tua casa é o local onde podes ser tu mesmo sem qualquer disfarce ou vestimenta. 
Vive-a assim. 

É certo que precisamos de nos organizar, de gerir tudo o que envolve a casa, mas não nos podemos esquecer de uma coisa, gozar a casa, usufruir desse consolo, desse divertimento.

Trata a tua casa como ela merece, é o teu tesouro, é o teu lar. Preocupa-te com o tornares esse espaço acolhedor, confortável e feito à tua medida. Não interessam as ideias preconcebidas de uma casa tem de ter isto ou aquilo. Nada. Nada digo-te eu, a casa não precisa de nada que não seja aquilo que tu queres.

Diziam-me que uma casa tem de ter uma sala de jantar. Nada. Tirei a sala de jantar que só roubava espaço e coloquei uma mesa mais robusta com cadeiras mais confortáveis na cozinha. Quem disse que não se pode receber bem na cozinha? Já alguns anos que assim tenho e não me têm faltado as festas, as comemorações e os convidados. Tens apenas que ter consciência do que estás a fazer. Por exemplo, agora está calor e eu vou ser anfitriã de um convívio ao fim da tarde. Claro que terei todo o cuidado com a ementa. Procurarei uma ementa que não exija trabalho de forno nem de fogão durante aquele dia para não aquecer aquela divisão. Irei tentar ter tudo preparado antes do tempo para poder limpar a cozinha e arejá-la antes de por a mesa. São estes os pequenos cuidados e as vantagens são inúmeras, por exemplo não existe necessidade de grande deslocação de coisas (como pratos) entre a sala e a cozinha, facilmente tiro e devolvo ao frigorífico os alimentos que quero se mantenham frescos, etc.

Para mim, casa tem que ser um lar, confortável e muito acolhedor. Por isso criei um conjunto de hábitos que me permitem ter este ambiente sem grande esforço. Estou muito atenta ao odor da casa, à frescura do ambiente, à existência de plantas que criem pequenos nichos de natureza dentro de portas. Para mim, é importante ter as janelas abertas, principalmente, com o cair da tardinha, porque é nessa altura que tudo se acalma e que se sente o abrandar da vida na brisa de fim de tarde. É por isso que temos mosquiteiras nas janelas, se assim não fosse ou desistia dessa brisa que me conforta, ou seríamos invadidos por mosquitos.
Imagem

Mas esta é a minha conceção de casa-lar, a tua poderá ser totalmente diferente e as tuas necessidades serem opostas às minhas. Sei que hoje as casas de inspiração nórdica estão na moda, e acredita que tenho uma faceta bastante minimalista de vida, mas aquele tipo de decoração não serve para mim. Eu preciso que a minha casa conte uma história, a minha/nossa história e isso não se coaduna com aquele tipo de despojamento. É lindo, confesso que adoro ver fotografias com aquele tipo de decoração, mas não serve para mim porque não sinto a alma aquecida!

Assim, quando estiveres a pensar na gestão da tua casa não te esqueças, em primeiro lugar tens que pensar o que queres dela, o que tu precisas para ser feliz nela, o que ela significa para ti e como podes torná-la no teu NINHO.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Bom fim-de-semana - 14

Para este fim-de-semana:

Imagem
# Jantar com amigos
# Visitar os pais,
# Levar a miúda ao karaté
# Compras no hipermercado
# Café com a prima
# Engomar
# Limpar a casa
# Ir ao cinema

Já ficaste cansado com a lista para este fim-de-semana?

Eu fiquei e por isso decidi contrariar. Este fim-de-semana sugiro que te revoltes e que contraries.

Para este fim-de-semana sugiro que ocupes o teu calendário com o relaxar. 

Para mim poderá ser colorir uma mandala. E para ti?

Como gostas de relaxar e de te deixar ir, assim, calmamente sem stress nem correria, só porque apetece?

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Valete de Copas e Dama de Espadas - Joanne Harris

Absolutamente perturbador é o que penso sempre que procuro dar a minha opinião sobre este livro. Joanne Harris, uma das minhas autoras predilectas, consegue sempre imbuir os seus livros com elementos que, pela magia e pelo exotismo, nos espicaçam e nos incomodam, mas este foi, de longe, aquele que, até hoje, mais me perturbou.


A mente humana, os seus desvarios e desvios são sempre retratados por Harris, a magia, pelo menos a sua insinuação, está também sempre presente, mas em Valete de Copas e Dama de Espadas, a autora supera-se e mostra-nos a faceta humana mais crua e perturbada. O livro é um complexo retrato das paixões e loucuras humanas, dos sentimentos que não se controlam, dos impulsos que vencem a razão e da culpa que nos esmaga quando agimos contra os valores da nossa educação.


Joanne Harris é prodigiosa a relatar-nos o combate das emoções humanas, as guerras internas que se travam quando temos que tomar decisões entre a razão e o impulso. Leva-nos numa viagem ao pormenor das emoções que ditam as decisões, quando nos faz acompanhar o diálogo interno constante que cada um dos personagens tem, revelando-nos o íntimo dos seus pensamentos ao longo do desenrolar da história.

Como todos os livros de Joanne Harris que já li, e já foram alguns, a história é bem pensada e construída, o enredo é complexo, as descrições são muito bem conseguidas permitindo-nos cheirar e ouvir. Os personagens, entre as quais não há heróis, são complexos e são nos revelados aos poucos, as características físicas são nos transmitidas, mas as psicológicas e emocionais vamos construindo ao longo da história. 

O Valete de Copas e Dama de Espadas não é, para mim, o melhor livro desta autora, mas é com toda a certeza o mais perturbador.

Sinopse
(Retirei da Wook)
Henry Paul Chester é um artista vitoriano cujo passado esconde um segredo terrível que deixou marcas profundas nele próprio e na sua arte. A sua obsessão em pintar raparigas jovens e "inocentes" vai conduzi-lo a Effie, uma menina de nove anos, que passa a usar como modelo. Dez anos depois, Chester e Effie casam, e é precisamente neste momento que a relação entre ambos azeda. Effie procura, então, consolo junto de um rival de Chester, o inescrupuloso Moses Zachary Harper. Mas não vai ser ele a confortá-la e sim Fanny Miller, a dona de um bordel, que revê na doce Effie a filha assassinada dez anos antes. Juntas tentam desvelar o sombrio passado de Chester e esboçar um sinistro plano para o desmascarar. Mas o uso da magia acarreta sempre o perigo do oculto… Os vitorianos são famosos por terem construído o conceito de infância tal como a encaramos presentemente. Bem ao seu jeito provocador, Joanne Harris descreve -nos a forma como alguns desses mesmos vitorianos perverteram a sua própria criação.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Lá em casa tudo fluí?

A casa dá muito trabalho! São as compras, são as refeições, são as limpezas, é tudo! É uma estafa.

Concordo. A casa dá muito trabalho, porque a sua gestão é bastante complexa. São várias áreas de diferentes âmbitos a precisarem de controlo e de gestão. Esta gestão é fundamental. Com ela conseguimos viver, sem ela sobrevivemos um pouco ao sabor dos acontecimentos.
Imagem

Não tem sido uma jornada fácil, a de perceber como posso ter a dinâmica da casa sempre em andamento com harmonia e a fluir, tenho dado alguns trambolhões, feito muitas inversões de marcha, mas a evolução tem se visto e hoje estou bem melhor do que estava o ano passado. Ainda não cheguei à meta do "é isto mesmo", aliás penso que nunca chegarei lá porque a vida vai andando e as necessidades da família vão mudando e eu vou aprendendo e querendo experimentar outras formas de fazer o mesmo.

Mas sentir que ainda tenho muito para aprender não me preocupa, pelo contrário entusiasma-me saber que posso evoluir e melhorar, principalmente porque já me sinto confortável onde estou e não sinto urgências. Sei que a casa está a ser bem gerida porque as nossas necessidades estão todas cuidadas e tudo flui, quase sempre, pacificamente.

Como é que cheguei aqui...uiui amigo, tem sido um longo caminho, mas as chaves-mestras são:

- listas
- planeamento
- rotinas

Como assim? Bem, desta forma. As listas são importantíssimas para nos orientar e guiar, mas também porque podem ir sendo feitas.

Dou um exemplo. Era sempre uma luta a lista de compras. Uma canseira cada vez que ia às compras andar pelos armários a ver o que faltava e depois de chegar das compras verificava que me tinha esquecido de apontar qualquer coisa. Assim, optei por ir fazendo a lista. Tenho um bloco pequeno (o bloco da lista das compras) na cozinha e sempre que se prevê a necessidade de comprar em breve, quer porque se abriu o último pacote de guardanapos, quer porque os cereais estão quase a acabar, apontamos nesse bloco o que falta. E a lista vai ganhando forma. Todas as terças-feiras faço compras na mercearia do bairro. Nesse dia de manhã pego na lista que foi sendo feita e voilá, estou pronta, sem mais chatice, para sair. Isto funciona porque estipulei um dia certo para ir às compras e com isso solidificou-se uma necessidade cíclica de compras, não há urgência, há um fluir entre a compra e o seu gasto. Facilmente comprovas, neste exemplo, aquelas chaves-mestra, as listas, o planeamento e as rotinas, não é verdade?

O planeamento é de facto preponderante porque permite depois criar a rotina/hábito e com isso fazer com que  não custe nada manter tudo em andamento.

Através do planeamento que mais faço?

- faço a ementa semanal (assim é também mais fácil compor a lista de compras que falei anteriormente)

- faço a preparação de refeições (como fiz a ementa, consigo em cerca de 1h do fim-de-semana, fazer as bases das refeições da  semana, por exemplo faço o preparada de salmão e congelo e durante a semana basta-me descongelar e adicionar e deixar cozer o arroz, o jantar fica feito em 20 minutos) 
Imagem

- preparo as roupas (todos os dias à noite preparo as roupas para o dia seguinte, minhas e da pequena, mas nessa altura eu estou cansada e sem vontade de looks, então ao fim-de-semana, em cerca de 20 minutos monto os looks para a semana toda e guardo tudo no roupeiro (conjunto para 2ª feira, 3ª feira etc, etc) assim durante a semana quando vou preparar tudo para o dia seguinte, tiro o cabide respeitante ao dia e coloco à mão de semear, no meu caso é na porta do quarto, na caso da pequena é em cima da sua cómoda).  

Tudo isto são circuitos que se criam e que depois se automatizam, é como se fosse uma engrenagem que está sempre em funcionamento. E tal como se fosse uma máquina, nem sempre é fácil pensá-la e montá-la, mas uma vez construída, é uma ajuda preciosa.  

A casa fluí como que por magia.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Bom fim-de-semana - 13

Agora que tanto se procura a felicidade, que tanto se fala e escreve sobre ser capaz de encontrar, de viver a felicidade, deixo-te esta reflexão sobre o tema. Uma forma diferente de abordar a felicidade.

O que é isso, a felicidade?

Bom fim-de-semana.




quinta-feira, 15 de junho de 2017

Comboio Nocturno para Lisboa - Pascal Mercier

Este foi um dos livros que não consegui terminar em 2016. Peguei-lhe duas vezes e duas vezes, após a leitura de poucas páginas, voltei a colocá-lo na prateleira. Não percebia porquê. Desabafei, em novembro passado sobre o assunto. Era incompreensível como é que à alegria inicial de pegar no livro seguia-se um desânimo que me impelia a desistir. Longe estava de pensar que o motivo para esta dificuldade em lê-lo se prendia com a complexidade filosófica do livro.

Pascal Mercier encerrou tantas ideias/teorias, tantas reflexões, tantas filosofias e questionamentos que tornou o livro difícil de ler. Este livro, para poder ser devidamente apreciado, como bem merece, não é um livro para se ler como um romance, é uma obra para ir lendo, captando os seus pormenores, as suas nuances.

Este livro está muito perto da genialidade por vários motivos. A história está bem contada e bem construída. O autor leva-nos numa viagem por duas história, uma que conta a outra e consegue, sem se perder, ir avançando sem percalços e com muita sabedoria literária. As personagens vão sendo construídas aos poucos, com o avançar da história vão sendo acrescentados novos episódios que nos dão a conhecer melhor as personagens.

Mas a história central é a de um homem que se questiona sobre tudo, que vive em reflexão sobre a vida, a existência, os valores, tudo! É por este homem que entramos em longas reflexões filosóficas que nos tiram a fôlego à narrativa, impelindo-nos à divagação no mundo das ideias.

O tom do romance é todo ele rebuscado, fala-se/escreve-se em modo reflexivo e os próprios diálogos não são diretos, nem simples. Nada é simples, nestas páginas, mas tudo é de uma beleza invulgarmente profunda.

Tinha decidido incluir o Comboio Nocturno para Lisboa no Desafio 12 Leituras em 2017 como o Ler um livro que tenha sido adaptado ao cinema e senti, por isso, curiosidade em ver o filme. Acabei o livro e vi o filme dois dias depois. Queria estar um pouco afastada da leitura, mas com a história nos seus pequenos pormenores ainda bastante viva. E assim foi...

O filme é bom, mas em comparação com o livro é uma pequena e muito modesta sombra. Tanto ficou por retratar no filme, tantas pequenas coisas com forte impacto na história. Mas enfim, normalmente é assim, não é? Os livros têm muito mais intensidade e conteúdo do que os filmes. 

Adorei ver Lisboa filmada neste contexto e mais ainda de ver a história de Portugal contemporâneo servir de base para um romance tão complexo.

Sinopse
(Adaptei da Wook)

Mas tudo começa numa manhã chuvosa. Uma mulher prepara-se para saltar de uma ponte de Berna. Raimund Gregorius, um banal professor de grego e latim de 57 anos, evita o acto desesperado e fica surpreendido com o som de uma palavra. Português, responde ela, ao ser questionada sobre a língua que fala.

Antes de desaparecer da história ainda tem tempo de escrever um número de telefone na testa deste míope professor que descobre, por acaso, um livro de um autor português, Amadeu Inácio de Almeida Prado, intitulado Um Ourives das Palavras. Sem conseguir explicar porquê, entra num comboio para Lisboa atrás deste médico que morreu 30 anos antes, em 1975, pouco depois da Revolução, numa descoberta do outro que acaba por ser uma descoberta de si próprio.

Amado pelos pobres que atendia de graça no seu consultório, Amadeu passa a ser rejeitado pelo povo no dia em que aceita tratar o "Carniceiro de Lisboa", assim conhecido por ser chefe da polícia política. Integrará posteriormente a resistência contra o regime de Salazar.