sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Alma de Coruja - Quando o céu nos cai em cima


Desde sempre que me sinto a lutar comigo própria e com o mundo. Tem sido uma luta difícil e a maior parte das vezes frustrante porque está sempre a reiniciar-se.

Desde cedo que tomei consciência de que a vida era uma coisa que se escoava e que tinha pouco sentido e coerência.

Quando tinha 7 anos, uns dias antes de terminarem as férias de verão, arrumava uma gaveta da minha roupa, de cócoras no meu quarto. Estava a arrumar, desejosa de terminar a tarefa para ir andar de bicicleta na rua, quando a consciência me sovou e me deitou ao chão com a realidade dura e crua à minha frente, tão lúcida no meu pensamento.

Fonte
Pensei: “as férias estão a acabar e depois só poderei andar de bicicleta no fim-de-semana e enquanto não estiver a chover. Terei que esperar pelas outras férias para ter a liberdade de poder andar de bicicleta quando quiser e brincar à vontade. Mas essas férias terminarão depressa e depois regressa o longo período de aulas e mais tarde o trabalho e nessa altura terei ainda menos férias…só serei livre quando me reformar, mas nessa altura estarei velha/crescida e os crescidos não acham graça a andar de bicicleta, por isso eu não vou andar de bicicleta!” 

Desatei a chorar, silenciosa, mas abundantemente. A realidade, a ironia da vida atingiu-me certeiramente. Tomei consciência de que quando puder fazer o que quero hoje e não posso, já não quererei fazê-lo e se calhar irei querer fazer alguma coisa que não poderei fazer naquela altura, mas que se fosse hoje talvez pudesse, mas simplesmente não quero ou nem me lembro de fazer.

Estas aparições de consciência ocorrem com alguma frequência e confesso que atrapalham bastante a estabilidade do meu bem-estar.

Um dia uma psicóloga, quando lhe contei este episódio, perguntou-me:
- E tem andado de bicicleta?
Meio confusa com a pergunta, respondi sincera:
- Não, nem tenho grande gosto por esse desporto hoje em dia. – A minha afirmação confirmava as minhas suspeitas de criança de 7 anos.
- Pois, mas talvez a criança em si ainda gostaria de fazê-lo e se calhar será mais feliz se mimar essa criança e lhe mostrar que na vida não há inevitabilidades, há vontade!

Fonte
Confesso que ainda não andei de bicicleta, já pensei em comprar uma e aventurar-me, mas tenho encontrado mil e uma desculpa (são caras, não tenho tempo, a pequena também ia querer ir,…enfim), mas sendo sincera, honesta comigo mesma, não voltei a andar de bicicleta porque tenho medo. Tenho medo de me aventurar em cima de 2 rodas e não conseguir andar ser tremer e fazer uma figura ridícula, tenho medo de gostar e ser difícil de manter a prática, tenho medo de não conseguir encontrar um espaço para a arrumar e ter que lutar com os vizinhos por um espaço na arrecadação comum. Tenho medo, ponto final!


Olho para trás, para a miúda de 7 anos e sei que ela ficaria tão, tão feliz se eu lhe desse a oportunidade de andar livre, livre, de bicicleta!

Pois foi assim que o céu me caiu em cima duas vezes. A primeira tinha 7 anos e constatei a roda viciada e gozona da vida. A segunda tinha 34 anos e constatei que a roda viciada e gozona da vida só existe porque eu permito e a alimento.

Foi a partir desta constatação que comecei a reflectir sobre mim e sobre as minhas responsabilidades enquanto indivíduo e pessoa livre e pensante.


O caminho, desde aí, tem sido longo e cheio de curvas e contracurvas, mas depois vou contando nestes desabafos de alma de coruja. 



quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Made by Coruja - Lápis para os coleguinhas


Sempre gostei de comemorar o São Martinho.

Não sei porquê, mas tem sido uma "festa" que, não havendo qualquer obrigação social, faço sempre questão de comemorar e já o fiz das mais diversas maneiras.

Inspirada pelo espírito da lenda, aqui fica a história, normalmente gosto de convidar amigos/família para irem até minha casa para nos divertirmos num belo magusto, dando as boas vinda ao Outuno.


Este ano, talvez por me parecer que o Outuno já chegara, não senti vontade de fazer a "festinha", mas não podia deixar de comemorar este dia que adoro. Combinei com a pequenita e, juntas, decoramos umas castanhas que aplicamos a uns lápis.

Esses lápis foram dados a cada um dos 22 amiguinhos da pequena no Infantário, mais 2 para as educadoras. E assim comemorámos o espírito da partilha desinteressada e da dádiva.

Com este Made by procurei cultivar a paciência (24 castanhas decoradas é obrinha!), partilhar um DIY com a filhota, estimular a criatividade (havia a possibilidade de diferentes materiais e diferentes figuras e o mais importante desenvolver a capacidade do desapego e do prazer na partilha.

Os lápis dados eram da pequenita, todos!, nenhum foi comprado para o efeito. Ou seja, a pequenita deu os seus lápis, com os quais gosta tanto de pintar, (ficou apenas com 7 para ela que sobraram) e, mesmo assim, foi com gosto e cheia de felicidade que os deu aos amigos.

Os amiguitos ficaram radiantes, as educadoras tiraram fotografias pelo que pude ver a sua felicidade ao receber e foram muitos os pais que agradeceram, o que foi refrescante.

Mas mais do que tudo, o que me encheu o coração foi a meiguice e a alegria que a minha pequena levava no dia em que ia dar os pequenos presentes. Sem nenhum queixume por ficar sem lápis, sem nenhuma tristeza, só alegria e entusiasmo por ir dar prendas aos seus amigos.


Que orgulho! Que felicidade! Viva o São Martinho!


quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Inspirações! Folha Molhada

Inspiro-me com as folhas caídas e molhadas após um dia de chuva.
Lembro-me com nostalgia da beleza da natureza.
Reconheço o meu pequeno lugar.
Apetece-me ficar ali...só a olhar.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Sinto-me uma Coruja


Quando em abril deste ano resolvi parar de escrever no Vida de Koquete, fi-lo porque me sentia a viver um momento de fundamental da minha vida.

Sentia-o em todas as minhas células. Sentia a força do conhecimento/consciência que pressentia a chegar, sentia a insegurança da premência da mudança que me acariciava como se fosse uma brisa. Sentia a quietude invulgar que normalmente precede uma tempestade.

Sabia. Sabia que estava a chegar um momento de forte impacto em mim e quis vivê-lo livre e de peito aberto.

Hoje sei que foi, verdadeiramente, um ponto de viragem. Um momento, de muitos dias, que abalaram toda a minha vida, a minha essência, a minha partilha, a minha maneira de estar.

Foram tantos os degraus que galguei, para depois descer novamente e mais tarde voltar a subi-los. Foram tantas as aprendizagens dolorosas, tantas as alegrias que me fizeram voar na doce noção da minha pequenez. Foi tanto que seria impossível contar num post, mas foi tanto que seria um egoísmo guardá-lo só para mim.

Assim optei por voltar a escrever num blog. Não quis regressar à Vida de Koquete, porque, na verdade, já não me sinto aquela Koquete e por isso para mim não teria sentido, não me identificaria.

Nasce, aqui este novo blog, Suspiro de Coruja. Serão os meus suspiros, não serão ensinamentos (não tenho essa presunção), não serão partilhas (estou a escrever sem ter com quem partilhar), por isso estes posts serão apenas os meus suspiros, das coisas que gosto, do que vou aprendendo e vivendo, do que vou criando e das minhas inspirações.

Sim, eu agora não me sinto uma Koquete, sinto-me uma Coruja...um dia explico!