sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

A minha organização - os instrumentos

Já tenho falado da importância que reconheço à organização, como fonte libertadora e promotora de oportunidades de lazer e de qualidade de vida. Como referi aqui tenho me esforçado, bastante, para conseguir fazer um planeamento que possa ser quase automático, por forma a não exigir demasiado tempo e energia na sua execução e que me permita ter espaço, tempo e disponibilidade mental e emocional para aproveitar a vida e viver momentos de prazer.

Tem sido, por vezes, esgotante todo este processo, porque experimento instrumentos, experimento processos e vou errando e alterando o esquema de organização. Felizmente, estou agora numa etapa em que o método que utilizo e as ferramentas associadas estão, mais ou menos, estabilizados, começando a experimentar as delícias de todo o processo. 

Os pilares da minha organização são:

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- Caixa de entrada = a minha caixa de entrada é processada imediatamente. Quando marco um compromisso este é incluído imediatamente no Google Calendar (por ex. quando chega uma conta coloco a data de pagamento e o valor no Google Calendar e arquivo o papel no local respectivo).

- Agenda = Trabalho com o Google Calendar que acedo quer pelo telemóvel quer pelo computador. Nesta agenda constam os compromissos com data marcada, aos quais adiciono um lembrete, assim tenho a certeza que não me esquecerei e as actividades que, embora não tenham data marcada, serão optimizadas se forem realizadas naqueles dias. Por exemplo, o planeamento de festividades é um segredo importante para uma boa gestão e uma vida mais livre de urgências. Desta forma, como a minha filha faz anos no final de abril, eu coloco nesta agenda, no início de Abril uma entrada a dizer planear aniversário da pequenita

- Caderno de organização = o caderno de organização é uma aquisição actual que ainda não posso garantir funcionar a 100% na minha vida. Antes tinha uma agenda em papel, mas cheguei à conclusão que ter que agendar duas vezes cada compromisso era uma perda de tempo e potenciava maior erro. O caderno de organização, inspiração da Fran, (vale a pena assistir), tem c
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omo premissa a ideia do GTD de listas contextuais. Na contracapa do caderno coloquei um calendário mensal. Ou seja, tenho sempre visível na contra capa do caderno o mês em que me encontro e por baixo os restantes meses. Isto permite-me ter uma visão mais ampla e consistente do meu planeamento e das necessidades. Quanto ao Caderno separei-o em 5 categorias: 
           1ª - sem nome - coisas que quero fazer, mas não têm data marcada e posso executá-las quando entender conveniente ou tiver oportunidade.
           2ª - romance - escrevo ideias e estruturas que funcionam de guião para o romance que estou a escrever.
           3ª) - blog - coloco ideias para posts ou temas que quero aprender com vista à publicação no blog. Quando faço o post planeado coloco a data em que o publiquei.
           4ª) - rumo pessoal - escrevo os projetos que tenho, as minhas wishlists, ideias chave, temas que quero aprofundar com o intuito de crescimento pessoal, enfim...tudo o que seja importante para manter o meu rumo pessoal.
           5ª) - finanças - tenho uma grelha com os gastos fixos e variáveis previstos e à medida que saem, aponto o valor e a data, desta forma consigo controlar se está a haver alguma derrapagem. Para além disso, tenho uma zona em branco onde vou apontando todos os gastos que faço para que, no fim do mês, consiga fazer uma leitura informada do nosso comportamento enquanto consumidores, se estamos num rumo aceitável, ou se estamos a fazer desperdícios desnecessários. Se constato maiores gastos do que os previstos, consigo analisar o mês e concluir qual o caminho do nosso dinheiro e reencaminhá-lo melhor.

- Calendário de mesa em casa = este calendário é diário e funciona como uma to do list diária. Neste calendário coloco aniversários (para me lembrar assim que viro a página diariamente) e as necessidades da casa. Por exemplo, o que planeei para o jantar na ementa semanal e o que preciso fazer para preparar a refeição do dia seguinte (ex. descongelar frango). Tenho post'its associados a este calendário: 1º - tem a to do list da rotina do fim do dia (preparar lancheiras para o dia seguinte, preparar mochila da pequena, preparar roupas para o dia seguinte (sim, sim, eu preparo as minhas roupas e as da pequenita à noite, para que de manhã não haja stress com a falta de imaginação ou coisas que foram para lavar), 2º - tem a
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to do list de sábado (limpar a casa, brincar com a pequenita, fazer ementa semanal e lista de compras, etc) e o 3º - tem a to do list de domingo (passar a ferro, fazer actividade familiar, fazer manicure, etc.).

- To do list - Esta é a minha verdadeira to do list e está sempre comigo. Nela não constam aquelas actividades rotineiras (que estão no calendário de mesa), mas apenas as tarefas que eu quero executar naquele dia. Esta to do list é feita em 2 post'its que coloco na contra capa do meu telemóvel. Na 1ª são actividades que farei fora de casa (ex. levar calças à modista) e nunca serão mais de 2 por dia, mas o ideal é ser apenas 1. Na 2ª são actividades que quero fazer em casa (ex. colocar de parte os livros para ir devolver no dia seguinte à biblioteca), também aqui não poderão ser mais de 2 por dia. Estas duas to do lists são alimentadas pelas entradas do caderno de organização e pelos compromissos da agenda.

- Ementa semanal - No início do fim de semana e com base no que tenho em casa elaboro uma ementa semanal que aponto no calendário de mesa da cozinha. Uma vez feita a ementa, coloco no mesmo calendário as exigências para a sua execução e passo a elaborar a lista de compras. 

- Listas de Compras - Tenho duas listas de compras. Uma mensal que está em template (quando faço a real lista mensal faço-a com base no template verificando as reais necessidades, às quais junto as pequenas/pontuais que fomos escrevendo num pequeno bloco que fica ao lado do calendário diário. Assim quando estou prestes a acabar a espuma para o cabelo que, por não ser uma necessidade mensal, não consta na lista template, aponto neste bloco e adiciono à lista real de compras mensais quando for fazer as compras. A outra lista é semanal. Nesta lista coloco o que preciso para executar a ementa semanal, as necessidades de frescos e outras coisas pontuais que não podem esperar pela comprar mensal. 

E assim tem sido o meu método de organização e tem revelado ótimos resultados. Tem sido um longo caminho de experiências e de adaptação, mas hoje em dia há certos pormenores diários que é como se não existissem de tão automáticos que já se encontram e, para minha grande alegria, não tenho tido esquecimentos e as urgências quase não existem na minha vida. 

Agora sinto-me mais livre e sinto que posso caminhar noutras direções que tanto tenho procurado, mas que a "falta de tempo" e os afazeres exagerados não me permitiam. Os afazeres são os mesmos, o tempo também, mas a organização é uma ferramenta miraculosa e torna o mesmo tempo em mais e os mesmos afazeres em menos!


quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Opinião | As Primeiras Luzes da Manhã - Fabio Volo

Acabei o primeiro livro que li de Fabio Volo, As primeiras luzes da manhã editado pela Presença e ... enfim, nem sei se devo escrever, para já, a minha opinião.

Quero ler o outro livro deste autor que tenho em casa para formar uma opinião mais consistente.

Todavia aqui ficam alguns pequenos comentários.

A forma como a história é contada é ardilosa e inteligente. Lemos páginas do diário da personagem principal e alguns monólogos da mesma quando relê, com alguns anos de distância, as páginas do diário que escreveu na altura dos acontecimentos narrados.

Elena é uma mulher casada que vive a tristeza da indiferença e da falta de rumo e de estrutura na sua vida. Dá por si a questionar a sua própria vida e as suas opções ao mesmo tempo que não sente coragem para tomar uma iniciativa de mudança. Vive esta tormenta até ao momento em que uma situação inesperada a leva para um turbilhão de emoções que a muda e a faz viver a vida de uma forma mais intensa.

A história é bonita e teria bastante mais para explorar, no entanto a opção do autor foi a de dar uma ênfase muito grande à parte erótica, perdendo-se em pormenores que me pareceram totalmente desnecessários. O livro teria muito a ganhar se a opção tivesse sido outra. Se tivesse explorado mais a parte emocional e a vivência interna da Elena, do que propriamente o erotismo de toda a situação.

O tema dava pano para mangas e ficou perdido na falta de profundidade e de complexidade do livro, que se pauta por uma simplicidade muito perto das características novelescas.

Mas claro, está é apenas a opinião desta leitora.

Irei ler, muito rapidamente, o outro livro de Fabio Volo que tenho, A caminho de casa e depois procurarei formar uma opinião mais fundamentada do autor.

Para já, posso dizer, sinto-me desiludida e, este livro, As primeiras luzes da manhã irei, com toda a certeza, procurar tirá-lo das minhas prateleiras.







segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

A felicidade

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A felicidade é uma meta para todos. Penso que, conscientemente, ninguém quer ser infeliz, no entanto as nossas acções nem sempre se adequam a essa meta.

Primeiro há que desmitificar a ideia de felicidade. Ninguém é feliz o tempo todo. A felicidade de fotografia de publicidade também não é real, essa felicidade constante de sorriso aberto todos os segundos da nossa vida não existe. Há momentos em que temos que estar tristes para podermos ser felizes. Uma das premissas mais importantes para a felicidade é a honestidade connosco próprios, com a nossa essência e com as nossas emoções.

Hoje em dia parece existir um movimento que exige a alegria constante, parece que estamos proibidos, que fica mal, mostrar momentos de tristeza, de aborrecimento, de irritação. Parece que não podemos viver emoções negativas. Mas o certo é que as emoções negativas existem e devem ser vividas, a forma como as vivemos é que pode ditar a nossa felicidade ou infelicidade.

Se me despeço de uma amiga, sabendo que não a verei durante muito tempo, é certo que me sentirei triste, se tenho uma discussão com o meu marido é natural que experimente emoções menos positivas. Viver estas emoções é importante para sermos verdadeiros connosco próprios, com as nossas emoções e com a importância que os outros têm na nossa vida. É desta forma que sentimos o nosso íntimo, que nos conhecemos um pouco mais e que aceitamos os nossos sentimentos e a pessoa que somos.

Para mim, a honestidade é o principal ingrediente na receita da felicidade. Sermos honestos, não é apenas não enganar o próximo, é sermos verdadeiros connosco próprios, não falsear ou mascarar sentimentos, não forçar um sorriso, negando-nos, mesmos na privacidade, o choro que tão bem nos pode fazer, libertando-nos.

Hoje em dia há muitas leituras sobre a felicidade e sobre como ser feliz. Muitas dicas, muitos caminhos, muitas verdades. Se bem que defenda que a felicidade é muito pessoal e individual, cada um tem o seu próprio caminho para a felicidade, há pontos que, concordo, são essenciais para uma vida feliz.

A honestidade é, como referi, o mais importante, mas temos outros:

- Responsabilizarmos-nos pela nossa vida
Muitas vezes atiramos a culpa pela nossa infelicidade para um conjunto sem fim de responsáveis e esquecemos-nos que há sempre alternativas que nos permitem fazer e ser o que precisamos para sentirmos alegria e felicidade.

- Desapegarmos-nos
O desapego e a simplicidade são essenciais para um sentimento de felicidade mais constante. Porquê? Porque o sentirmos-nos presos à posse de alguma coisa para sermos felizes é tornarmos-nos reféns e dependentes de circunstâncias. Apreciarmos os pequenos pormenores da vida é darmos-nos a possibilidade de viver muitos momentos felizes durante o dia e isso sim, isso, contribui decisivamente para que o sentimento de felicidade perdure.

- Consciencializarmos-nos da nossa mortalidade
Quando nos consciencializamos o quão precária é a nossa existência passamos a viver o presente e a aproveitá-lo nas suas pequenas dádivas. Deixamos de protelar a nossa felicidade, como um objectivo futuro e passamos a trabalhá-la na actualidade.

- Permitirmos-nos o erro e a imperfeição
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A perfeição não existe e o erro é um patamar de aprendizagem que deve ser aproveitado e acarinhado. Quando admitimos o erro e aprendemos com ele, passamos mais uma etapa no nosso desenvolvimento. O erro é por isso mesmo uma oportunidade e não um falhanço. Quando procuramos ser perfeitos, caminhamos direito para a frustração e para o stress. Não conseguiremos ser prefeitos, não é importante ser prefeito.

- Aceitarmos a vida e as suas vicissitudes
A maioria de nós quer controlar o tempo, quer controlar a vida e o futuro. Se há magia na vida que aqui vivemos, essa magia vem da imprevisibilidade da vida e das surpresas que cada curva que fazemos nos trazem. Por mais negro que um momento seja, não significa que em si mesmo não possa trazer uma oportunidade maravilhosa, porém para vê-la precisamos de aceitar o momento negro e ter disponibilidade para vivê-lo e ultrapassá-lo.

- Não querer agradar a todos
É quase a mesma coisa que querermos ser perfeitos. É impossível! Há tantas personalidades diferentes, com diferentes vivências que agradar a todos é impossível. Também assim é impossível que todos nos agradem. Devemos procurar a companhia daqueles que verdadeiramente nos agradam e deixar fugir aqueles cuja companhia era uma mera conveniência para não estarmos sozinhos.

- Conhecermos-nos
- Respeitarmos-nos
- Gostarmos de nós próprios.

Estes três últimos pontos são pilares fundamentais para a felicidade e talvez os mais difíceis de conseguir. Sem eles andamos à deriva. Sem eles o diálogo interno negativo estará sempre presente e minará o nosso quotidiano e as nossas possibilidades de vivermos momentos felizes.

Concordas?


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Opinião | O Espelho Negro - As Crónicas de Bridei (vol.I) de Juliet Marillier

Por desafio de um grupo de leitura, li, pela primeira vez um livro de fantasia.

Comprei-o na BertrandO Espelho Negro - As Crónicas de Bridei (vol. I), de 

Agora que o terminei, posso escrever sem receios que foi uma experiência gratificante e entusiasmante.

Trata-se de uma história de um pequeno miúdo que, sem saber, tem nos seus ombros as aspirações e esperanças de um conjunto de  homens e mulher notáveis. Será educado por um druida e ser-lhe-ão facultadas todas as ciências e conhecimentos necessários para desempenhar um papel preponderante no futuro do Reino.

A história é narrada de forma exemplar. Envolve-nos, manipula-nos e envia-nos para um mundo de druidas, mulheres sábias, guerreiros tatuados, magias, seres da floresta, vidências, de uma maneira subtil que nos parece ser possível aquela realidade ser...enfim...real.

Bridei, a figura central, é histórica e muitos dos aspectos narrados contêm um fundo histórico, muito embora envolto em muitas dúvidas e incertas como todo o passado dos Pictos.

Juliet Marillier
Juliet Marillier é uma escritora exímia quer na doçura como nos conduz, quer pela trama e enredos que cria, prendendo-nos a atenção e fazendo-nos querer ler um bocadinho mais.

A coroar toda esta mistura mágica de bem escrever, de imaginação, de história, de trama está uma história de amor encantadora.

As descrições são tão reais que por vezes senti o frio da neve e a aridez das pedras na minha própria pele.

Os diálogos são muito bem conseguidos e as personagens encontram-se tão bem exploradas que não existe dificuldade em compreender sentimentos e emoções através dos diálogos.

Irei ler a trilogia completa com toda a certeza!

É um livro excelente que dava um filme grandioso.  



Sinopse
Escócia, século VI. Bridei tem quatro anos quando os seus pais o confiam a Broichan, um poderoso druida do reino de Fortriu, com quem aprenderá a ser um homem erudito, um estratega e um guerreiro. Bridei desconhece que a sua formação obedece ao desígnio de um concelho secreto de anciãos e que está destinado a desempenhar um papel fundamental no destino do instável reino de Fortriu.
Porém. Algo irá mudar para sempre o seu mundo e, provavelmente, arrasar os planos de Broichan: Bridei encontra uma criança, ao que tudo indica abandonada pelos Boas-Gente. Todos concordam que o melhor será assassiná-la, mas Bridei decide salvá-la a todo o custo. E assim, ambos crescem juntos, e a bebé Tuala transforma-se numa bela mulher.

Contudo, Broichan presente o perigo que ela representa, pois a jovem poderá vir a ter um papel importante no futuro de Bridei… ou causar a sua perdição.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Estou curiosa - A Bastarda de Istambul de Elif Shafak


Estou muito curiosa com esta novidade da Jacarandá Editora (Grupo Editorial Presença).

A autora, Elif Shafak é francesa e uma romancista premiada.

Entre as suas obras destaca-se esta, A Bastarda de Istambul, nomeada para o Orange Prize for Fiction, e agora publicado em Portugal.

A crítica refere Elif como uma desafiadora que dá voz às minorias e às subculturas.

Estou, mesmo, muito curiosa!

Mais informações sobre este livro acedam ao site da Editorial Presença.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Wishlist - 1 (Nasci num Harém de Fatima Mernissi)


Um dos meus propósitos atuais é diversificar a minha leitura. 

Nunca tinha lido fantasia e a participação num clube de leitura desafiou-me a fazê-lo. 

Peguei no O Espelho Negro, o volume I de As Crónicas de Bridei, de Juliet Marillier e, como referi na Vamos Ler, tem sido uma experiência entusiasmante e  transformadora.

Agora, imbuída do espírito aventureiro e certa de que outras surpresas me esperam para me fascinar, vou marcar este livro das Edições AsaNasci num Harém de Fatima Mernissi,  na minha Wishlist. 


A capa é atraente e prometedora e a sinopse leva-me a querer, mesmo, lê-lo.

Nasci num Harém
"Nasci num harém em Fez, Marrocos..." assim começa a história de uma infância passada por detrás dos muros proibidos de um harém.   Com uma voz carregada de emoção e um exotismo comparável ao das "Mil e Uma Noites", Fatima narra as suas memórias e os sonhos e fantasias das mulheres que a viram crescer. Mulheres a quem o mundo exterior era interdito e que usavam o puro poder da imaginação para o recriar. Por entre o inebriante aroma a incenso e a suavidade dos véus multicores, ela viveu uma infância exuberante e mágica, mas também isolada e com pouco ou nenhum contacto com a realidade. A sua timidez e docilidade eram uma fonte de preocupação para a sua mãe, uma mulher rebelde e inspiradora, que a instigava a sonhar mais alto e a ousar transpor os muros proibidos para ver o mundo com os seus próprios olhos. E Fatima ganhou asas e voou. Esta é a sua inesquecível jornada de descoberta e crescimento face aos mistérios do mundo e da feminilidade. Uma história pessoal que contém em si a universalidade do que significa ser mulher. Ao cruzar memória e fantasia, Fatima Mernissi lança uma luz sem precedentes sobre as vidas das mulheres muçulmanas.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Método GTD - O que é?

Quando escrevi sobre a Gestão de Tempo/Gestão Pessoal referi o método de David Allen, Getting Things Done (GTD) e, hoje, gostaria de aprofundar um pouco o tema.

Existe um rol sem fim de opiniões e de explicações sobre o método, mas, não obstante poder ser acusada de repetitiva, a importância que este método tem na minha vida e a eficiência que lhe reconheço, obriga-me a escrever este post.

O segredo do sucesso do GTD é o fato de se alicerçar num princípio sólido e propiciador de eficácia, que é o de manter o pensamento sempre vazio dos post'it mentais.

Normalmente passamos o tempo a dizer a nós próprios "não me posso esquecer de colocar o frango a descongelar, não me posso esquecer de levar a manta para a creche, não me posso esquecer de telefonar ao Rui, não me posso esquecer de comprar gel duche, etc, etc). Estes são post'it mentais e ocupam a nossa mente impedindo-nos a concentração nas acções essenciais e levando a que, muitas vezes, nos esqueçamos de fazer qualquer coisa gerando assim as urgências.

Passamos muito do nosso tempo a apagar fogos e a procurar resolver urgências, quando deveríamos estar 90% concentrados no que realmente é importante.

É neste fundamento que se utiliza o GTD. Procura-se, através dele, deixar de ter urgências e desorganizações, para conseguir ter efectivo controlo sobre o que se produz e a qualidade com que se produz.

O GTD tem 5 etapas:
- Capturar
- Processar
- Organizar
- Rever
- Executar

1ª Etapa Capturar
Esta etapa deve ser repetida várias vezes por dia e consiste em capturar informação relevante, utilizando caixas de entrada onde se junta toda essa informação. A informação capturada pode ser um compromisso que assumimos (ex. quando marcamos uma consulta), uma fatura que recebemos, uma receita que gostamos e anotámos, uma tarefa que precisa ser feita. Nesta fase não fazemos nada com a informação, apenas a recolhemos e colocamos na caixa de entrada, que pode ser um tabuleiro organizador, uma bolsa de plástico, uma gaveta, um caderninho de apontamentos. É minha convição que, mesmo que haja outro tipo de caixas de entrada, o caderninho de apontamentos, ou outro meio qualquer que permita que se escreva a qualquer altura de forma ágil é indispensável. Eu uso a contracapa do meu telemóvel onde colei post'its.

2ª Etapa Processar
Processar significa que vamos pegar em toda a informação que capturámos e vamos identificá-la, nomeá-la e destiná-la. Esta etapa deve ser feita 1 vez por dia e o processamento pode/deve ser feito da seguinte forma:
Primeiro identifica-se a informação e se esta exige ação, ou não. Se for não, escolhe-se que destino lhe dar: eliminar, incumbar(talvez um dia) ou arquivar. Se for sim, tem que se identificar a forma da acção exigida: uma só ação ou mais do que uma ação. Se for uma só ação e levar menos de 2 minutos colocar no fazer imediatamente, se for uma só ação mas levar mais de 2 minutos devo verificar se é ação com data ou sem data. Se não tem data devo colocar na lista das próximas ações, se tem data, devo colocar no agendar. Caso exija mais do que uma ação, então trata-se de um projeto.O segredo desta 2ª etapa é que se trata apenas de identificar e não executar nada. A execução é feita na 3ª etapa.

3ª Etapa Organizar
Esta é a etapa da organização e deve ser feita 1 vez por dia. Uma vez identificadas as entradas que exigiam ações com data, agora há que agendá-las, incluindo lembretes/notificações. Para as entradas consideradas como exigindo ação mas sem data, há que incluí-las nas listas de Próximas Ações, que devem ser listas contextuais, ou seja, listas que tenham a ver com o contexto em que estão inseridas, se são de foro doméstico, se de foro profissional, se de foro blog, enfim. Este pormenor é de máxima importância porque vai evitar interferências e distrações (se estiver no trabalho não posso por o frango a descongelar para o jantar, pelo que esta informação só tem interesse na lista Em Casa).

4ª Etapa Rever
Uma vez por semana, deve rever-se a informação processada e voltar a fazer o seu planeamento. Por exemplo, ver as listas de ação e verificar se alguma coisa que não foi feita está a ficar com carácter de urgência, verificar a agenda e garantir que foi tudo cumprido, rever os projetos e cuidar do seu andamento.

5ª Etapa Executar
Agora é hora de agir. Não há lugar a pensamentos, nem a reflexões, nem a decisões, é tempo de fazer, apenas fazer! Para que esta etapa seja bem sucedida é preciso que se confie plenamente na seriedade e nas boas decisões que foram tomadas nas etapas anteriores.

Parece complicado? Não é, precisa apenas de empenho inicial, depois, quando se torna uma hábito, entranha-se e não se consegue viver de outra forma!

Visite o site do David Allen

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Opinião - O Natal de Poirot

Durante a passada quadra natalícia ouvi e li muitos apaixonados pela leitura referirem este livro como fazendo parte das suas escolhas para dezembro.

Na minha adolescência fui uma leitora ávida de Agatha Christie, mas não me lembrava de ter lido este livro em particular. Por isso, quando o encontrei nas prateleiras dos meus pais, não hesitei!

De leitura muito rápida, O Natal do Poirot (editado pela Edições ASA) é um livro típico de Agatha Christie e relembrou-me o motivo pelo qual tinha deixado de ler a autora.

Tratando-se de uma história sobre uma reunião familiar, o pai e os seus filhos, seria de esperar que houvesse uma maior profundidade nos relacionamentos e nas suas personalidades. No entanto, são todos descritos pela rama e algumas das características apresentadas servem apenas o propósito de direccionar o leitor no sentido contrário à solução do crime.

A escrita não tem qualquer beleza e quase não existe descrição espacial. Uma vez mais, a que existe serve apenas para enquadrar a cena e proporcionar alguns pormenores que servirão de justificação para a solução do mistério.

Para além de ser um livro leve, sem conteúdo que se possa guardar após a sua leitura, a forma como o crime é solucionado fez-me sentir algo ludibriada, já que os motivos para a descoberta do mistério por Poirot me parecerem irreais, fiquei a pensar "como assim?"

Acredito que, tão cedo, não voltarei a pegar em Agatha Christie.


(Opinião publicada, no dia 12 de janeiro de 2015, na Página Vamos Ler)


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Influências inspiradoras - Thais Godinho

No post Organizando-me referi que o método de organização que utilizo tem sido inspirado nas ideias/opiniões/sugestões de muitas pessoas.

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Uma das minhas maiores influências tem sido, sem dúvida a Thais Godinho, com o seu blog Vida Organizada.

A Thais é gestora de produto GTD no Brasil, pela Call Daniel e ministra cursos sobre o GTD. Para além disso dá palestras e escreve, livros e blog, sobre o tema gestão de tempo, produtividade e organização, ainda conseguindo tempo para ser uma devoradora de livros.

Um dos aspectos que mais gosto na Thais é a vertente pedagógica dos seus posts e a sua constante necessidade de aprendizagem e de descoberta de novos métodos de organização, que vai partilhando com a humildade necessária para nos deixar conhecer as alterações, melhorias e opções que faz na organização do seu dia-a-dia.

Para quem gosta do tema, para quem se sente desorientado no lufa lufa do quotidiano, para quem gostaria de melhorar a sua organização ou só por curiosidade, recomendo uma visita ao blog.

Para mim, tem sido uma companhia valiosa e estimulante.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Nas palavras de outros...


A humildade é a base do amor. Só se ama com a verdade. Aprender aquilo de que o outro precisa, o que o completa, não é algo natural nem espontâneo, envolve o duro trabalho de nos esquecermos de nós, e das nossas teorias, para nos concentrarmos naqueles outros eus que queremos que sejam felizes.

José Luís Nunes Martins


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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Autores | Nicholas Sparks

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Confesso que nos últimos anos tenho lido bastante este autor. Quando me emprestaram, pela primeira vez, um livro de Sparks, faz uns 7/8 anos, não gostei. Achei pouco profundo, desinteressante e lamechas.

No entanto, ouvia tantos comentários positivos e tantas amigas que adoravam lê-lo que pensei, "devo ter lido mal!".

Assim, voltei a pegar em Sparks, no Diário da nossa Paixão, que tive oportunidade de comentar aquihttp://vidadekoquete.blogspot.pt/2013/06/opiniao-28112012.html

Depois de muitos mais livros lidos, é assim que continuo a descrever este autor, " o que lhe falta de mágico na escrita tem em dobro na história".

Eu gosto, bastante, deste contador de história.


(Opinião publicada, no dia 04 de dezembro de 2014, na Página Vamos Ler)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Opinião | Ninguém Escreve ao Coronel de Gabriel García Márquez



O livro é, todo ele, escrito em linguagem indirecta, através de diálogos curtos e inconsequentes, aumentando, assim, a magia que envolve toda a história. As personagens falam entre si, mas os seus discursos não são directos, nem explícitos. Entre frases, que aparentemente não se interligam, vamos ficando a conhecer os sentimentos profundos de cada uma das personagens e as características marcantes das suas personalidades. É a arte de revelar o que não foi dito, dizendo outra coisa ou noutra altura.

As descrições espaciais são muito reduzidas. Referem-se, apenas, a pormenores que nos enquadram na cena que nos está a ser contada.

As personagens são profundas, se bem que com pouca vivência e interacção. Diz-se pouco delas, mas o que se diz caracteriza-as profundamente.

Trata-se de um livro muito bem escrito, com uma linguagem fluída, clara e agradável, cuja estrutura está muito bem articulada.

De leitura fácil e simples, somos obrigados a conhecer verdadeiramente a personagem do Coronel, não lhe conseguindo ficar indiferente. Mas o Coronel é um ser humano complexo e tem muitas características, todas elas marcantes, de umas gostei, de outras não gostei - é um excelente e bem conseguido retrato da complexidade humana.


(Opinião publicada, no dia 10 de dezembro de 2014, na Página Vamos Ler)

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Para 2015 - Concretizadora

O início do ano é, para muitas pessoas, um período de balanços e estabelecimento de metas.

Como não sou apologista da definição de objetivos, sou também, por natureza própria e por experiência de vida, algo avessa ao estabelecimento de metas muito explícitas e mensuráveis.

Acredito que a emoção de querermos ser melhores nos leva a estabelecer metas que parecem concretizáveis, mas que na correria do dia-a-dia e no meio das eventualidades e contratempos se tornam impossíveis e nos conduzem a sentimentos de incapacidade e de frustração, bombas relógios para o nosso bem-estar emocional.

É claro que não sou excepção e aproveito este período de festas para ponderar no que foi o ano que está a acabar e no que gostaria de mudar no ano que se segue. Mas pelas minhas convicções, faço esta reflexão sempre centrada em mim como ser humano. Como posso evoluir para me tornar num ser humano melhor.

Nos dois últimos anos fiz descobertas que me levaram a um caminho penoso, de autoconhecimento, mas também de grande consciência e de reconhecimento do caminho que tinha percorrido até então e daquele que eu gostaria de fazer a partir daí.

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Se 2013 foi um ano de desintoxicada,
Se 2014 foi um ano de responsabilizada,

Quero que o ano de 2015 seja um ano de concretizadora.

Quero continuar a conhecer-me, quero desenvolver a minha sensibilidade para com os outros e para com a natureza, mas este ano gostava de conseguir ter uma postura menos contemplativa e refletiva. Gostaria de ser mais ativa e perceber se o conhecimento que fui adquirindo me ajuda e me proporciona uma real evolução enquanto ser humano. Este ano, em 2015, eu quero passar a concretizadora.

Mas desenganem-se se ao lerem concretizadora imaginam uma super mulher a fazer e a acontecer. Nada disso. Este ano quero ser concretizadora na construção da minha tranquilidade emocional, quero ser mais desapegada dos interesses materiais, mas activa e insistente naquilo que materialmente considerar fundamental para o meu bem-estar individual e para o bem-estar da minha família.

Os dois anos que passaram foram de desconstrução do meu íntimo, de abanão das minhas convicções e de reconhecimento da minha responsabilidade e da minha vontade como preponderantes. Em 2015 quero começar a construir, continuando este rumo, o meu Rumo Pessoal.


quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Dia Um...Na Cozinha - Cocktail | Jan2015

 











 
Bom ano!! Espero que 2015 seja maravilhoso para todos, quer nos seus bons momentos, quer nos seus momentos mais difíceis. Vou tentar aceitar todos os seus aromas e paladares e saborear a vida em todos os seus pequenos, pequeninos pormenores. Pois não é uma pitada de pimenta que pode alterar todo o sabor de um prato?!

Para o primeiro Um dia ... na cozinha de 2015 o desafio foi fazer um COCKTAIL!!!! Tchim, tchim.

Foi uma estreia para mim e, inspirada por uma prenda de Natal, fiz questão de procurar trazer para a bebida os sabores da cidade que me viu crescer.


Aqui fica o meu....Setúbal's Flavour

1 Cálice de Cointreau (licor de laranja)

3 Cálices de Moscatel de Setúbal (usei Casa Ermelinda Freitas)

1 Cálice de sumo de laranja

1 Colher de café de canela


Misturar tudo muito bem e beber, saboreando as ligação dos diferentes sabores.