quarta-feira, 29 de abril de 2015

Como manter a motivação

A motivação, ou melhor, a falta dela, é um problema que nos estagna e nos entristece.

Por isso mesmo e por me ter consciencializado das repercussões negativas que a desmotivação tinha na minha vida, embrenhei-me numa pesquisa sobre o tema. Do que estudei até agora retiro as dicas que se seguem. Espero que estes pequenos conselhos vos possam ajudar e naqueles momentos em que parece que a vontade nos abandonou, vos ajudem a levantar a moral e a seguir em frente.

Dicas para manter a motivação:

- Define o rumo que pretendes seguir: é preciso que saibas muito bem o que queres, é importante que passes por um processo de auto-conhecimento antes de procederes à definição do teu rumo.

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- Elabora (redige) um plano de concretização desse rumo: para conseguires entrar nos carris do rumo que pretendes seguir tens que conseguir tal e para te manteres nele tens que conseguir isto.

- Não sejas demasiado ambicioso, sê realista: aumenta a tua exigência à medida que vais conseguindo progredir e te vais habituando ao teu novo rumo.

- Celebra os seus sucessos e progressos- não subestimes o que vais conseguindo alcançar, valoriza-te.

- Não queiras ser perfeito - aceita-te como és e as limitações que vais descobrindo em ti à medida que avanças. Vê nelas uma oportunidade de crescimento e não te esqueças, ninguém é perfeito.

- Responsabiliza-te - por muito que te tenham condicionado no passado, agora que estás consciente, podes mudar o teu percurso. O teu caminho é uma escolha que fazes.

- Auto-disciplina-te: a disciplina, o rigor no cumprimento do plano que traçaste é metade do caminho. O circuito não é motivação -» ação, mas antes ação -» motivação. A motivação surge da ação.

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- Mantém o foco nas razões porque queres aquele rumo - relembra constantemente as consequências positivas que dele virão e visualiza o resultado que procuras.

- Estuda - mantém-te  interessado e procura aprender e obter informações fidedignas sobre os assuntos fulcrais ao teu progresso.

- Saboreia o processo - se não conseguires tirar prazer da viagem, o destino perderá a razão de ser.

- Prepara-te - cria estratégias para contornares os obstáculos previsíveis e planeia um plano de ação para os imprevisíveis.

- Sê otimista - focaliza-te no que acontece de bom, no que já conseguiste e evita a autocrítica negativa.

Quando te sentires desmotivado pensa "que posso fazer hoje, uma pequena ação, que me aproxime mais do meu objetivo", pois serão estas pequenas ações que te levarão à concretização do rumo e através delas conseguirás gerar motivação mesmo nos mais mais desmotivantes que viverás.

Mas atenção!

Se tiveres muitos momentos de desmotivação, PÁRA! Estagna tudo o que estás a levar a cabo e reflecte com tempo e sem amarras ou condicionalismos. Faz o exercício da Fada do tudo pode acontecer. Se ao ouvires a tua voz interior te consciencializares de que o caminho que estás a fazer não está alinhado com quem tu és verdadeiramente, então, desiste sem remorsos. O importante é estares alinhado contigo próprio.


segunda-feira, 27 de abril de 2015

O meu maior tesouro!

Há 4 anos era assim que me sentia. Depois de 9 meses de gravidez de risco, estava ansiosa por ver o meu pequeno tesouro nascer. Naquela altura, sentia-a por dentro e toda a sua vida me transformava por fora. Hoje, sinto-a a viver por fora e toda a sua vida e energia me transforma por dentro.

Foi naquela altura que escrevi isto, para ti, minha querida, meu amor, minha filha:

Estás tão perto!
Sei que te sinto,
Sei que te vejo,
Mexer, agitada.
Mas ainda assim,
Não consigo olhar para ti,
Ver os teus movimentos,
O teu sorriso para me alegrar a alma.
Sinto falta de ti,
Sem que alguma vez tenhas sido,
Temo-me incapaz,
Não sei se serei,
Se terei a força,
Se terei a sabedoria,
Se terei a tranquilidade,
Para te ajudar a crescer.
Tenho amor,
Tenho muito amor,
Que não se esgota no teu mexer,
Que não se esgota nestes enjoos que não passam,
Nesta pele que estica, que estica
Para te deixar viver.
Durante este tempo não fui mais nada
Não quero mais nada
Do que ajudar-te a chegar ao dia,
Àquele dia que já não vem longe,
Àquela hora em que vais chorar,
Gritar, espernear porque também a ti
Também para mim,
Faz saudade saber que deixaremos de ser uma
Para que venhas a crescer e a viver
No teu mundo, em que já não serei apenas eu a tua lua.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

A importância da qualidade espiritual

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"As facilidades e as conquistas materiais são indispensáveis à sociedade humana, ao país, à nação. Porém, ao mesmo tempo, o progresso material e a prosperidade em si mesmos não podem oferecer a paz interior que tem de vir de dentro. Por conseguinte, tudo depende da nossa atitude em relação à vida e aos outros, e particularmente da nossa atitude face aos problemas. Face a um problema, cada pessoa terá mais ou menos facilidade em geri-lo em função da sua atitude mental. Ou seja, é a perspectiva interior que faz toda a diferença.

Se utilizarmos mais a nossa consciência subtil, podemos levar o espírito a fazer muito mais coisas. Assim, as qualidades espirituais podem ser desenvolvidas sem fim."

O Dalai Lama in Sabedoria Infinita

quarta-feira, 22 de abril de 2015

10 + 1 Dicas para um ambiente sempre clean

De todas as técnicas que conheço que ajudam a mantermos a nossa vida organizada, a arrumação/limpeza é a mais importante. Atenção, não estou a falar de higienização, apenas de visual clean.
Quando conseguimos ter uma atitude arrumada, muito facilmente conseguimos manter a nossa vida organizada. Da mesma forma que se mantivermos a nossa vida organizada, muito mais facilmente conseguiremos ser pessoas arrumadas e consequentemente viver e estar em ambientes clean que favorecem tanto a paz de espírito como a concentração.
 Aqui ficam algumas dicas para conseguirmos, como pouco esforço, mantermo-nos arrumados:
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1.     Faz a cama logo de manhã: há quem a faça assim que acorda, eu não gosto. Gosto de deixá-la a arejar, com a janela, do quarto, aberta, durante um bocado. No entanto não inicio nenhuma actividade ou saio de casa sem que a cama esteja feita.
2.     Mantém a roupa no seu devido lugar: quando te despes para por o pijama, ou a roupa de andar por casa, faz logo a escolha, o que é para lavar para o cesto de roupa suja, o que é para guardar, guarda de imediato.
3.     Mantém os armários de roupa bem organizados e arejados: se mantiveres a roupa bem organizada e sempre com lugares específicos verás que cumprir o número anterior será bem mais fácil e encontrarás muito mais motivação para continuares a ser arrumado. Para além disso a tua roupa terá um cheiro mais agradável, o que te proporcionará uma emoção positiva quando a pegares para vestir.
4.     Mantém o calçado no seu devido lugar e não uses o calçado da rua em casa: assim que chegas a casa dirige-te ao sítio onde guardas o calçado e descalça-te, colocando uns chinelos, ténis, pantufas ou fica descalço. Desta forma conseguirás duas mais valias, 1ª o chão da casa manter-se-á mais limpo durante mais tempo e 2ª a mudança de calçado envia informação ao teu cérebro de que entraste em modo de descanso e começas, imediatamente, a relaxar.
5.     Não deixes livros, jornais, brinquedos e outras coisas espalhadas pela casa: procura criar o hábito de constante arrumação. O hábito pode parecer inicialmente muito aborrecido e cansativo, mas garanto que, assim que interiorizado, o deixa de ser  e faz milagres na arrumação do teu quotidiano. O hábito é: sempre que saíres de uma divisão para outra leva contigo um objecto que esteja mal colocado e arruma-o. Por exemplo, estou na sala e vou à cozinha beber água, se estiver um guardanapo que a miúda usou, ou um papel amarrotado, levo-os comigo e dou-lhes o devido destino. Com isto irás conseguir manter a arrumação sem teres que fazer grandes momentos de limpeza.
6.     Não deixes loiça por lavar no lava-loiça, nem coisas/alimentos na bancada da cozinha: nada promove mais o sentimento de desarrumação e descontrolo sobre a organização da casa do que entrar na cozinha e encontrá-la desarrumada. A última coisa que faço antes de me deitar é espreitar a cozinha e verificar se está tudo no sítio e se as bancadas e mesa estão com as superfícies limpas. Por si só, este é um ponto de arrumação importante, mas torna-se incontornável quando nos apercebermos dos efeitos positivos e relaxantes que tem quando acordamos e vamos à cozinha e esta está arrumada e cheira bem. É óptimo começar a amanhã assim.
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7.     Mantém a placa, o forno e o microondas limpos: visualmente faz muita diferença e a sua limpeza dar-te-á bastante motivação. O mesmo com a máquina do café, garante que não fica com os pinguinhos castanhos que salpicam quando tiramos o café.
8.     Mantém a casa de banho arrumada: com isso quero dizer, não deixes produtos espalhados na bancada (convence-te, arranja um sítio para cada coisa), não deixes o lavatório com cabelos ou resíduos de pasta dentífrica, não deixes roupa no chão, não deixes a toalha das mãos amontoada e, mais importante do que tudo, baixa a tampa da sanita. Sim, acredita é importante. Faz a experiência, entra na tua casa de banho com a tampa para cima e depois com a tampa para baixo e diz-me se é ou não um gesto importante? A banheira também é importante. Não a deixes suja, não custa nada ter um borrifador com produto de limpeza junto da banheira e assim que sais do banho borrifa-la e passado uns minutinhos passas o chuveiro. Experimenta e vais ver a diferença. Também aqui arranja um sítio para os produtos, não os espalhes à volta da banheira.
9.     Mantém o frigorífico limpo e sem alimentos fora do prazo: para além da importância de arrumação, este ponto é essencial para a tua saúde e bem-estar. Nada pior do que abrir o frigorífico e dar de caras com um meio limão ressequido, ou um chouriço cheio de bolor, ou um pacote de leite com cheiro já ácido. Já para não falar do que isso pode significar quanto à proliferação de bactérias nocivas.
10.  Deita o lixo fora todos os dias: eu faço assim, quando chego, ao fim do dia a casa, coloco um novo saco de lixo e de manhã quando saio para o trabalho deito o saco do lixo fora. Todos os dias. Assim garanto que nunca há cheiro de lixo em casa, mesmo que tenha o azar de alguma coisa azedar ou verter. O hábito diário garante que não é criado nenhum cheiro desagradável. Pode dizer-se que é pouco ecológico porque gasto muitos sacos, sim, também gostaria que houvesse uma alternativa para o lixo que não fosse saco plástico, mas até agora ainda não encontrei nenhuma que me parecesse higiénica.

A dica mais importante de todas: Assim que sujares, limpa; assim que desarrumares, arruma.


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Sugestão | Canal americano reconstitui o sismo que destruiu Lisboa em 1755



Não fosse eu uma apaixonada por história e talvez nem ligasse a esta notícia. Mas sou e não podia deixar de chamar a atenção para o vídeo.

É bem pequenino, não ocupa qualquer espaço no teu horário apertado e está tão bem feito que apreendes, imediatamente, o que foi aquele dia tão marcante na história de Portugal.

Acho, sinceramente, que vale a pena assistir. Aqui fica a minha sugestão, basta clicares.


sexta-feira, 17 de abril de 2015

A vida é tão bela! (1)

Dá-me fornicoques de felicidade só de olhar e inspira-me a ser feliz. 

São deliciosos, os momentos tranquilos que passamos entre flores num espaço íntimo, com o som dos nossos pés a fazer melodias entre a gravilha.

Maravilhoso. 
A vida é tão bela!

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quarta-feira, 15 de abril de 2015

Os meus 4 Pilares

Nunca fui adepta de objectivos e sempre me recusei a fazer resoluções e metas muito concretas e definidas. Como referi aqui, sinto que os objectivos nos limitam, impedindo-nos de viver, verdadeiramente, a vida na sua magnitude e beleza.

No entanto, não posso deixar de concordar que andar à deriva e ao sabor da maré e dos acontecimentos é um viver errante que eu não aprecio porque não consigo concretizar aquilo que considero a essência da própria vida.

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Assim, tenho definido o meu Rumo Pessoal e todos os inícios de ano procuro nortear-me para uma postura de vida, em 2013 procurei desintoxicar-me e em 2014 responsabilizar-me, podem ler aqui. Para 2015 decidi ter uma postura concretizadora.

Optei por este rumo por considerar que após desconstruir todo o meu íntimo e as minhas crenças, era a hora de, com maior auto-conhecimento, começar a concretizar, a edificar, conscientemente, a minha vida.

Este rumo tem pilares fundamentais, nenhum deles é mais importante do que o outro e todos juntos proporcionar-me-ão a estrutura, física, mental, emocional e espiritual que desejo ter.

Os meus pilares são:

- vida saudável (corpo são em mente sã)
- viver o agora (apreciar com consciência activa os momentos)
- simplificar-me (material e interiormente)
- realizar-me (privilegiar actividades que contribuam com significado para minha existência)

Quando reflecti sobre o rumo que pretendia, considerei estes como os 4 pilares a partir dos quais gostaria de estruturar a minha vida durante este ano, pelo menos, e a partir dos quais brotariam as actividades e os projectos que abraçaria durante o ano.
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Por vezes o desafio é conseguir manter-me fiel a este Rumo. Sou muito interessada em novidades e experiências novas, pelo que facilmente me roubam a atenção e me encaminham para áreas das quais não tiro mais do que o prazer momentâneo da descoberta e da aprendizagem. Para mim, este é o maior desafio, manter-me focada e manter-me motivada para seguir o rumo que escolhi.

Como é que cada um destes pilares se concretiza na minha vida? Bem, cada um deles será um post que publicarei mais tarde.

;-) Até!

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Sê criança, outra vez.

Muitas vezes ficamos parados, não evoluímos, não experimentamos coisas/experiências novas, não nos atrevemos sem mesmo sabermos bem porquê. Desejamos andar para a frente, iniciar projectos e sonhar, mas algo nos impede e não sabemos o que é.

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As razões podem ser várias, entre elas está o medo, o medo de falhar, o medo de ser ridículo, o medo de estarmos a querer demais, de estarmos a ser ingénuos. Qualquer que seja a razão, deveremos analisá-la, reflectir sobre ela para podermos agir assertivamente.

Um dos grandes obstáculos ao nosso agir e ao nosso sonhar são os pensamentos limitativos que nos são incutidos enquanto crescemos. Somos educados a não ser demasiado ambiciosos, para não sermos gananciosos, somos educados a sermos humildes, gratos pelo que temos, somos educados a ser realistas com as condições de vida que temos e as oportunidades que existem, enfim. Somos educados a estarmos limitados até nos nossos sonhos.

Hoje proponho um pequeno exercício:

- Fecha os olhos e descontraí;

- Imagina que uma fada vem a voar até ti e sorridente te diz: "Eu sou a fada do tudo pode acontecer. Diz-me o que queres e farei acontecer!"

- Confiante em que a fada fará acontecer, liberta o teu desejo e a tua vontade e pensa sobre aquilo que tu realmente queres. Não interessa se é ridículo (nada é ridículo!), não interessa se é impossível (tudo é possível). Larga a tua imaginação e diz a ti próprio o que realmente gostarias de ter/viver. Como seria o teu dia ideal, qual seria a tua ocupação ideal, como seria a tua casa ideal, etc, etc, etc.

Por hoje, faz apenas isto, liberta a tua vontade e contacta com o teu eu sonhador sem limites! Liberta-te dos limites da sociedade e voa na tua vontade e sonhos.

Sê criança outra vez.


sexta-feira, 10 de abril de 2015

O Casal Feliz


Depois de ler esta reportagem do Público Online fiquei muito tempo em reflexão. Não tenho comentários a fazer, nem explicações, nem quero acrescentar nada. De toda a reportagem o que mais me marcou foi este excerto:

O segredo da sua felicidade, dizem os dois, vem do lema beneditino “ora et labora” (“reza e trabalha”), da vida silenciosa, do altruísmo, do antimaterialismo, do amor desinteressado e do contacto com a natureza. “Enquanto vives no silêncio tens mais respostas interiores e exteriores. Temos tempo para observar e receber mais sabedoria”, argumenta Maria. “Só insistindo com paciência e serenidade, trabalho e resiliência, encontramos a nossa solidez”, completa Feliz.

Repito: Só insistindo com paciência e serenidade, trabalho e resiliência, encontramos a nossa solidez.

Vale a pena ler e ver as fotografias aqui.

Publicado a 6 de abril pelo Público

A vida do casal Feliz numa aldeia de Trás-os Montes

Perto de Vila Real, um casal de eremitas alimenta-se do que produz e da proximidade com a natureza. Deixaram a República Democrática Alemã há 30 anos e encontraram no isolamento transmontano a vida que procuravam — “a própria vida”.

Deles ninguém conhece os nomes de baptismo. Deixaram-nos há 30 anos na antiga República Democrática Alemã. Não se identificavam com o regime e com as estruturas sociais do país em que nasceram, nem com a vida numa cidade como Berlim. Mas sobre o passado não se alongam em pormenores. Hoje, são conhecidos como Maria Feliz, ela, e Feliz, ele. Consideram-se eremitas e vivem, em modo auto-sustentado, num recanto escondido de Moçães, uma aldeia do concelho de Vila Real.

Estão ali há 17 anos. Dizem que a sua opção é a pobreza. “Não é oposição nem boicote. É uma forma de pensamento elevado.”
Até chegar à antiga casa do moleiro percorre-se um caminho acidentado. Na berma da estrada, a 12 quilómetros de Vila Real, há uma placa onde se lê: “Missão Pobreza Voluntária”. O lugar não é acessível a todos. “Se vens por bem, podes entrar”, informa uma chapa presa a um pinheiro. Mais adiante, no fim de um caminho de terra e pedras envolvido por giestas, urzes e estevas, está uma cancela de ferro com mais uma mensagem inscrita no metal: “Sem fé nada seríamos”.
Esta fé é uma “ética”, “sem intermediários, sem sacerdotes”, mas “bastante próxima de Deus devido à natureza” envolvente, explica Feliz – um homem de barbas e cabelo branco, óculos, chapéu e mais de 60 anos. “Tudo o que nos envolve foi criado por Deus, como a terra, o ar, o fogo, os animais, as plantas e as árvores, que é tudo o que precisamos para vivermos e sermos felizes.” Maria Feliz completa: “Não tenho nenhuma ligação a nenhuma religião, mas tenho uma crença. Na minha alma existe uma coisa que eu quero entender. Por isso retirei-me desta sociedade para perceber o que é.”
A antiga casa do moleiro foi por eles restaurada e é aí que habitam, na companhia de um burro, umas poucas ovelhas, galinhas, dois cães e três gatos. Em volta estendem-se os campos onde começam o dia a lavrar a terra, a plantar o que comem. Maria também cultiva plantas medicinais que utiliza para fazer chás, cremes e remédios, que depois vende em feiras.
Aprendeu com a mãe e uma ama, que lhe incutiram o gosto pela medicina popular, inspirada nos ensinamentos de Santa Hildegarda, abadessa beneditina alemã do princípio da Idade Média – “a primeira mulher a pregar em público”. Em 1979 trocou a vida profissional, sobre a qual nada diz, por estes segredos antigos que diz serem a sua vocação.
“A mim nunca me faltou nada. Tinha uma vida normal, estudos e profissão, mas faltava uma coisa que não tinha explicação. Achei sempre que aquilo não era vida”. Tal como Maria, Feliz não gosta de falar do passado, mas admite que desde criança teve sempre a sensação de “não estar no seu próprio lugar”. Por volta dos 30 anos resolveram procurar outra forma de vida, a “própria vida”. Em Portugal, na Serra da Estrela, encontraram o que procuravam. Foi aí que se habituaram “a sobreviver com muito pouco” e que aprenderam muito com “analfabetos que eram sábios”. Passados sete anos fixaram-se mais para sul, junto ao mar, no Cabo Espichel. “Foi uma fase mais contemplativa”, ligada à leitura e ao estudo."
Mas antes de Vila Real ainda viveram em Vilar de Mouros, no Minho, onde Maria aprofundou o seu interesse pelos remédios tradicionais. Em 1993 tornou-se uma frequentadora do Congresso de Medicina Popular de Vilar de Perdizes, onde dá palestras e expõe o seu trabalho.
Agora, na solidão transmontana, na margem direita do rio Sordo, não têm electricidade, nem máquinas. Eles próprios canalizaram a água de uma fonte próxima. Na modesta casa que reconstruiram, com chão de pedra e tecto de madeira, não há rádio, nem televisão, nem frigorífico, nem Internet. Os telemóveis são deixados lá fora, numa caixa protegida com chumbo para evitar radiações.
Antes das refeições, colhem o que vão cozinhar. Vivem em harmonia com a natureza e vivem do que ela lhes dá – milho, feijão, feijocas, hortaliças, centeio e muito mais. O centeio com que fazem o pão é moído por Feliz num moinho do ribeiro, recuperado com vizinhos e amigos. Não excluem do seu regime alimentar o peixe e a carne, embora só os consumam esporadicamente.
Os cuidados de higiene começam de manhã, com um banho de água fria na rua. À noite, de vez em quando, tomam banho de água quente numa banheira de madeira com os óleos essenciais que Maria produz, tal como faz sabão, cremes para o rosto, pomadas, xaropes, tinturas e chás, ou a própria roupa. A sanita, ao ar livre, não tem autoclismo. Não usam papel higiénico mas água. O único candeeiro que têm é alimentado a energia solar.
O quotidiano é ritmado pelos afazeres do dia-a-dia, “sempre os mesmos e sempre diferentes”. A oração, a reflexão, o trabalho, a agricultura sem químicos são a receita para uma vida feliz e saudável. Não têm feriados e não conhecem a palavra férias.
Quando saem, muito raramente, não ficam fora mais de dois dias. Vivem completamente alheados da sociedade, mas ajudam e acolhem quem os procura em busca de mais saúde física e espiritual. Por vezes, entre Maio e Agosto, quando há mais trabalho no campo e se colhem as plantas medicinais, acolhem alguns jovens voluntários. “É uma boa oportunidade para conhecerem uma vida diferente, perto da natureza”, diz Maria.
Feliz, a par da escrita em que espelha a sua filosofia de vida, faz trabalhos de serralharia e carpintaria, corta lenha e fabrica velas artesanais. Alto, de olhos claros, apresenta-se com uma postura distante, mas por vezes consegue-se arrancar-lhe um sorriso que se desdobra em gargalhadas sonoras e infindáveis. Baixa, com cabelos cor de prata, Maria é mais calorosa e deixa transparecer o que lhe vai na alma. Às sextas-feiras partilha os seus saberes no mercado de Vila Real.
O segredo da sua felicidade, dizem os dois, vem do lema beneditino “ora et labora” (“reza e trabalha”), da vida silenciosa, do altruísmo, do antimaterialismo, do amor desinteressado e do contacto com a natureza. “Enquanto vives no silêncio tens mais respostas interiores e exteriores. Temos tempo para observar e receber mais sabedoria”, argumenta Maria. “Só insistindo com paciência e serenidade, trabalho e resiliência, encontramos a nossa solidez”, completa Feliz.
Garantem que têm uma vida muito dura mas feliz. “O que exige mais de ti faz-te crescer”. Abominam a “dependência social, cultural e monetária” e uma sociedade “massificada, consumista e supérflua”. Defensor daquilo a que chama “alta filosofia anti-materialista”, Feliz sintetiza: “Só a fuga da sociedade nos pode conduzir à vida.”

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Opinião | Danças & Contradanças de Joanne Harris

Depois da desilusão que tive com os livros de Fabio Volo precisava de me encantar novamente com  a escrita e peguei na minha querida, querida Joanne Harris.
Joanne Harris

É uma escrita tão boa, tão real e ao mesmo tempo cheia de melodia.

Nunca tinha lido os seus contos Danças e Contradanças e neles fui encontrar uma faceta muito real da autora. Antes de cada um dos contos, Joanne Harris  escreve sobre o que a inspirou para escrevê-lo ou como o escreveu, o que nos aproxima, bastante, dela quando lemos as pequenas histórias.

São contos totalmente desligados uns dos outros, mesmo em relação à temática. São escritos num tom desafiante e muitas vezes sarcástico. Têm um pozinho de crítica social e um pote cheio de imaginação.

Adorei o livro, entreve-me, deliciou-me e deixou-me recuperada enquanto leitora.

Um pequeno conselho, não o leiam de seguida. Leiam um conto e descansem a saboreá-lo, a interiorizá-lo... cada um dos contos merece esse respeito e vocês irão receber muito mais assim.


Diz a sinopse, que podem ler nas Edições Asa:

As sarcásticas histórias de Danças & Contradanças podem ser resumidas em duas palavras: malévolas e maliciosas. Como em muitos dos seus romances, Joanne Harris consegue combinar de uma forma única situações e personagens comuns - e até banais - com o extraordinário e o inesperado. Mais do que nunca, a autora dá largas à sua imaginação e apresenta-nos uma exuberante e prodigiosa caixa de Pandora que contém tudo quanto é extravagante, estranho, misterioso e perverso.De bruxas suburbanas a velhinhas provocadoras, monstros envelhecidos, vencedores da lotaria suicidas, lobisomens, mulheres-golfinho e fabricantes de adereços eróticos, estas são vinte e duas histórias onde o fantástico anda de mãos dadas com o mundano, o amargo com o doce, e onde o belo, o grotesco, o sedutor e o perturbador estão sempre a um passo de distância. Escolham o vosso par, por favor.Danças & Contradanças é o primeiro livro de contos de Joanne Harris, que, com a mestria a que já nos habituou, consegue deliciar, surpreender, entreter e horrorizar em igual medida. Suficientemente longas para aguçar o apetite e saborear e breves a ponto de serem lidas num piscar de olhos, estas são histórias maliciosas, divertidas, por vezes provocadoras, mas sempre pessoais e capazes de revelar uma faceta de Joanne Harris até agora desconhecida dos seus leitores. 



segunda-feira, 6 de abril de 2015

Como simplifiquei a minha vida - alguns exemplos práticos

A simplificação de vida é um assunto que me interessa e sobre o qual me debruço com frequência, procurando sempre aprender mais e diferente.

Já tive oportunidade de escrever sobre o assunto aqui e mais especificamente sobre o destralhamento, (digamos como uma técnica  para a simplificação) aqui. Hoje gostaria de dar pequenos exemplos de como se pode aplicar este conceito de vida em pequenas coisas que são muito fáceis de fazer e, muito embora aparentemente com pouco impacto, na realidade fazem uma diferença crucial no nosso quotidiano.

Vou dar-vos a minha experiência.
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- Coloquei um autocolante de não publicidade na minha caixa de correio e deixei de ser inundada por papéis que não serviam para nada, sinto o meu correio higienizado, só lá vai o que interessa;

- Anulei todas as newsletters digitais que tinha, mantenho apenas três a da wook, a da bertrand e a da Toys r us (enfim, caracteriza-me bem como pessoa não é verdade?);

- Desfiz amizade no facebook com cerca de 100 pessoas;

- Limpei as minhas subscrições no youtube, mantendo apenas duas Pri Leite Yoga e Flavia Melissa;

- Doei cerca de 500 livros à biblioteca municipal de onde vivo (o meu projecto é ficar apenas com os livros de literatura que me marcam e com os livros técnicos/cultura/arte que me interessam e quero consultar, tudo o resto quero que circule e seja sabedoria que chega ao próximo, mesmo àquele que não dispõe de recursos financeiros para comprar);

- Subscrevi os blogs que me interessam para receber os e-mails quando há posts novos, assim evito perder tempo;
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- Configurei os e-mails, pessoal e profissionais, no telemóvel para evitar acumulação de e-mails e assuntos que possam ficar pendentes embora urgentes;

- Acabei com a agenda em papel e uso o Google Calendar, está configurado no telemóvel também, pelo que está sempre acessível; 

- Tirei o som às notificações, aos alertas e às mensagens no telemóvel. Sim, eu sei, parece um contra-senso, mas não é. Quero a informação disponível e por isso uso o telemóvel como uma ferramenta poderosa e congregadora, mas sou eu quem gere o momento em que acedo a essa informação - aqui está a importância do hábito, criei o hábito, introduzi na minha rotina a tarefa de consultar x vezes por dia e a determinadas horas o telemóvel para ver se há novas informações, é a tecnologia a trabalhar para mim e não eu subjugada à tecnologia ;-);

 - Doei metade do meu guarda-roupa e impus-me a regra, o conjunto de roupa, por estação, que tenho tem que caber na minha metade do roupeiro. Parece loucura? Mas não é. Com criatividade e se organizarmos a roupa no dia anterior as combinações possíveis aumentam consideravelmente; 

- Desfiz-me de muita maquilhagem e impus duas regras. Primeira, não tenho produtos em duplicado, se tenho uma base, chega, se tenho um rímmel, chega. Segunda, toda a maquilhagem tem que caber no seu cesto próprio, tudo o que não couber não pode ficar;
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- Fiz o mesmo com os produtos de limpeza;

- Deixei de usar o Caderno da Organização, como referi aqui experimentei o seu uso, mas acabei por considerar que para ter valência teria que andar sempre comigo,  um caderno, mesmo pequeno na minha mala aumentava consideravelmente o peso que carregava diariamente. Passei a usar o Evernote. 

- Passei a servir-me, bastante, da tecnologia: Google Calendar, Evernote, Outlook, (este último para agenda de trabalho e lista de tarefas profissionais), assim evito o papel, a informação está sempre disponível e, com o uso de alertas, a mente está desocupada;

- Deixei de ir a aniversários e festas apenas por obrigação, dizem que sou antipática, paciência, cada hora do meu dia deve ter significado e deve ser tratada como se fosse única.

Estes são exemplos que apliquei na minha vida, alguns bem minimalistas, mas cada vida é uma vida e tem as suas particularidades. Aquilo que garanto é menos é mais! Acreditem!