quinta-feira, 30 de julho de 2015

Momento para descansar

O fim de julho chegou!

Chegou o momento de parar, aquietar-me e dar espaço ao usufruto.

Sou apologista de rotinas, de organização, de gestão de tempo, de gestão pessoal, de destralhamento e desapego, de leituras para o desenvolvimento pessoal, do esforço por crescer/evoluir, da contribuição para a comunidade, da reflexão sobre quem somos e para onde queremos rumar, enfim de nos empenharmos e agirmos para crescermos enquanto indivíduos, acrescentando valor positivo ao que nos rodeia.

É a tudo isto que me dedico durante todo o ano.

Excepto em agosto.
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Agosto serve para terminar um ciclo, para dar descanso à pessoa que tanto se esforça para crescer. Agosto serve para viver o Agora com maior intensidade, para me presentear com momentos de lazer contínuos, para me permitir desfrutar do que aprendi, retirando o máximo de prazer que é viver.

Trabalho numa escola, tenho uma filha pequena, o meu marido é professor,  por isso toda a minha vida gira em torno do ano letivo e não do ano civil. Para mim, este é o verdadeiro fim de ano. As rotinas escolares terminaram, em setembro surgirão novas, exigindo diferentes rotinas. A gestão pessoal será adaptada, a gestão de tempo será adequada à realidade do novo ano letivo. Em setembro tudo recomeça.

Por tudo isto, é agora o momento de descansar. De parar.  Em setembro regressarei, revigorada, estimulada por ideias e por ânimos renovados.

Até lá.

Vivam com intensidade 
Vivam com consciência 
Sejam verdadeiros



terça-feira, 28 de julho de 2015

Desenvolvimento Pessoal! Como?

Crescermos enquanto pessoas, indivíduos é, para mim, a jornada mais importante e mais difícil de ser feita.

O desenvolvimento pessoal é antes de mais um percurso individual, com tempos individuais, necessidades individuais, descobertas individuais e rumos individuais.
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Para mim, todo o processo começa pelo auto-conhecimento, sem este podemos fazer vários percursos e até acertar com o mais adequado para nós, mas não cresceremos conscientemente. Procurar evoluir desalinhados da nossa essência é andar à deriva.

Este patamar inicial é, normalmente, muito demorado, mas também muito frutífero e enriquecedor. Para que o crescimento pessoal seja consciente e consistente temos que saber qual o rumo que procuramos e, neste, qual o passo de crescimento que queremos dar.

Assim sendo, com base num auto-conhecimento bem estruturado, devemos nortear a nossa ação, definir um objectivo (não gosto muito do conceito desta palavra, mas para aqui é a mais clara que poderei empregar). Em que queremos crescer? Como queremos crescer?

Quando temos este objetivo delineado, precisamos de nos munir de informação e de conhecimento que nos permita reflectir. Ou seja, devemos procurar informação sobre o assunto, através de workshops, de livros, de palestras, na internet (não há limite, liberta-te de preconceitos, contacta com a informação, só depois rejeita a que não considerares válida ou relevante).

O conhecimento adquirido irá permitir uma reflexão aprofundada. O brainstorming é uma das minhas ferramentas preferidas. Faço-o escrito porque, normalmente levo dias a fazer download das minhas ideias sobre o assunto para o meu caderninho, até que um dia sento-me, em sossego, e leio tudo o que ali escrevi. A partir daqui consigo ter uma reflexão consistente, bem estruturada e bastante ampla (como tive vários momentos de download de ideias, consegui abranger diferentes estados de espírito e com isso diferentes perspectivas) que me vai permitir um planeamento de ação fundamentado e bem focado, com vista ao crescimento pessoal que defini.

Depois, claro, depois e o mais importante é persistir. É encontrar força de vontade e estratégias de lidar com a frustração e com a procrastinação.
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Pequenas dicas:

. procura a tua praia - ou seja, procura pessoas e espaços (físicos e virtuais) que estejam alinhados com o teu intuito.

procura inspiração - ou seja, estuda/observa as pessoas que conheces (famosos ou não, pode até ser um vizinho, ou um amigo) que já atingiram o objectivo que tu definiste inicialmente. Lê biografias que te inspirem a percorrer o caminho que desejas. Facilmente te aperceberás que todos percorremos caminhos difíceis e demorados, talvez esta constatação te sirva de imunidade contra para a frustração.

Não desistas!



quinta-feira, 23 de julho de 2015

Quer Sentir-se bem? - Análise Transacional

Uma das minhas mais recentes leituras foi o livro de Andrés Senlle "Quer Sentir-se bem?".

Foi um daqueles acasos que me levou até ele. Fui com a pequena à biblioteca municipal, um dos nossos passeios preferidos. Antes de passarmos para a secção infantil, damos sempre um saltinho na zona dos "crescidos". Como tenho um belo conjunto de livros de ficção para ler, com os quais estou bastante entusiasmada, decidi passear-me pelos livros "técnicos". E foi assim que me deparei com esta lombada que depressa veio parar às minhas mãos e daí até casa foi um instante.

O livro é bastante acessível e debruça-se sobre a análise transacional que é uma ferramenta muito relevante no autoconhecimento, na medida em que permite perceber como nos relacionamos com os outros, como transmitimos e como podemos potenciar confrontos, sem termos disso consciência, gerando ambientes muito pouco positivos para nós.

Não me vou alongar muito, não quero aborrecer, mas não posso deixar de partilhar algumas ideias do autor que me fizeram pensar bastante e têm tido repercussões na minha vida, nomeadamente na forma como entendo o meu relacionamento com os outros.

O autor fala em subir a escada, no sentido de melhorarmos o nosso relacionamento com os outros e consequentemente aumentarmos o nosso bem estar.

Neste sentido, aponta seis passos:

1º passo: consciencializar-me de como é que sou afetada pelos padrões de relacionamento existentes na minha vida.

2º passo: depois de detectar sabotadores, ou seja, comportamentos meus que me impedem de ter relacionamentos saudáveis, decidir o que quero fazer (aqui sublinha que a postura nunca deverá ser não farei isto, mas sempre a afirmação pela positiva, o que quero mudar no meu comportamento).

3º passo: depois de decidir o que quero mudar, tenho que definir como o farei, muito concretamente.Nada de pensamentos e intenções abstractas e pouco concretas. Aqui é preciso ser muito específico.

4º passo: identificar como poderei sabotar-me e procurar com isso, evitar que o consiga fazer. Trabalho de prevenção, muito importante!

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5º passo: procurar identificar medidores de progresso, ou seja estabelecer factores que me ajudem a perceber se estou a mudar na realidade, ou apenas na minha mente.


6º passo: Procurar perceber e estabelecer, para visualizar, como me sentirei com a minha mudança.

Sublinha o autor que não se trata de querer ser mais feliz, mas sim, de definir exactamente as coisas que me fazem feliz e colocá-las em prática, como seja tão simplesmente ver um filme, ter um hobbie e dedicar-me a ele 3 horas por semana.

O livro vai muito mais além e com certeza irei voltar a escrever sobre ele, principalmente quando me debruçar sobre temas como o auto-conhecimento e o desenvolvimento pessoal.

Para já, vou por em prática a sua proposta e procurar subir a escada.


terça-feira, 21 de julho de 2015

Porque não Piloto Automático?

Muito do que tenho escrito vai no sentido de rejeitar o estado de piloto automático e defender como preferível a escolha consciente de todos os pormenores com que nos deparamos diariamente. Porquê?

Bem, viver no piloto automático é sermos máquinas e vivermos no vazio da escolha e do sentir. É treinarmos um determinado movimento, seja lavar os dentes, seja conduzir até casa, seja cozinhar e uma vez aprendido, desligarmo-nos totalmente do processo e deixá-lo decorrer sozinho. Quando isto acontece deixamos de sentir os pormenores, deixamos de usufruir e passamos a ter a nossa mente fora do tempo presente.

A nossa consciência  esbate-se em ansiedades e em stress que só existem na nossa mente, quando o presente, aquilo que está a acontecer connosco na realidade, acaba por não ser sentido. Tudo isto leva-nos à tristeza porque simplesmente tudo aquilo que pensamos querer e que desejamos poder gozar nos passa ao lado, porque, no momento em que ocorrem, nós estamos inconscientes num tempo mental que não é o presente.

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E é assim que a vida nos foge entre os dedos. E é por isso que acabamos por achar que "enfim a vida é assim".

A vida não é assim. A vida é maravilhosa, cheia de escolhas, de risos que nos enchem de amor se estivermos dispostos a ouvir. A vida é cheia de aromas deliciosos, só precisamos de cheirar. A vida é cheia de alegria e esperança se apenas, apenas, optarmos por viver conscientemente cada momento da nossa vida.


quinta-feira, 16 de julho de 2015

Simplificando a vida, com Stephanie Gomes

Muito tenho escrito sobre simplificar e como as pequenas decisões e momentos podem ter um papel determinante na nossa jornada e nos hábitos que alicerçam a nossa vida.

Hoje partilho o vídeo da Stephanie Gomes. Conhecia a Stephanie do seu blog, muito interessante, Desassossegada, e fiquei muito satisfeita quando a vi iniciar um canal no youtube. 

O seu segundo vídeo é sobre tornar a nossa vida mais simples através da mudança de hábitos. Achei tão interessante que decidi partilhá-lo.

Aqui fica.


terça-feira, 14 de julho de 2015

Ter tudo, o que é isso?

Quando começamos a pensar na gestão pessoal, na gestão de tempo e na vida com significado, deparamo-nos com a ideia de que é impossível ter tudo. Que o segredo está no estabelecimento de prioridades. 

No entanto, o princípio que está subjacente a esta ideia é o de que não podemos ter tudo, de que temos de prescindir de algumas coisas. Mas será mesmo assim?

Esta ideia, a de que não posso ter tudo, é uma ideia limitativa e negativa, pois significa que nos encontramos impossibilitados de ter qualquer coisa, neste caso, ter tudo. É este peso negativo que me leva a questioná-la e a procurar perceber a sua verdade. Quando assim é, começo a pesquisar e a procurar informação e ideias/teorias de outros que se debrucem sobre o mesmo assunto e me ajudem no meu brainstorming.

No percurso da minha pesquisa sobre o assunto, deparei-me com o livro “As Mulheres que têm Tudo” de Marcus Buckingham. 

As reflexões que são levadas a cabo pelo autor pareceram-me muito pertinentes e a forma de abordagem é bastante interessante, tanto que resolvi partilhar um pouco do seu conteúdo.

Diz o autor que ter tudo, “tentar ser todas as coisas para todo o tipo de pessoas o tempo todo é um jogo de tolos que há de, no fim, esgotar a mente, o corpo e o espírito”. Mas perante esta ideia de ser impossível ter tudo, acrescenta, “escave um pouco mais e terá de se interrogar, Qual é a alternativa? ... Três quartos de vida? Metade de vida? Menos de metade?”

Colocada assim a descoberto, a ideia da impossibilidade de se ter tudo torna-se absurda. Como posso eu aceitar ter só metade da vida? Escreve o autor, “a pergunta certa é: o que quero eu dizer com ter tudo? Porque se ter tudo significa retirar força suficiente da vida para se sentir realizada, amada, bem-sucedida e detendo o controlo, então isso é algo que todo e cada um de nós deveria almejar e que todos e cada um de nós pode alcançar”.

A perspectiva que o autor propõe é a de que ter tudo significa “dominar a arte de usar a vida para se preencher” e de que devemos procurar Apanhar e não Lançar.

Quando se fala de pessoas bem sucedidas, normalmente pensamos em pessoas cuja vida atarefada é preenchida pelos inúmeros aspectos da vida, que são geridos e conseguidos através de verdadeiro malabarismo. Ora, o autor defende que a arte do malabarismo é lançar, “para manter todos os objectos no ar, tem de se livrar de cada um o mais rapidamente possível, mal lhe permitindo tocar-lhes as pontas dos dedos antes que de novo o arremesse ao ar, preparando-se para lançar o seguinte”.

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Uma vida com sentido é o oposto. Para uma vida com sentido devemos dominar a arte de apanhar e não de lançar, “o segredo de uma vida forte reside em saber como atrair umas quantas coisas na sua direção. Pede-lhe que seja discriminadora, seletiva, intencional. Pode encontrar momentos energizantes em cada aspeto da sua vida, mas para o fazer precisa de aprender a apanhá-los, agarrar-se a eles”.

Se concordarmos, então teremos de admitir que a chave para se ter tudo é o autoconhecimento, pois através dele poderemos ter real consciência do que é importante para nós, do que de facto é o tudo para nós e este conhecimento levar-nos-á a chamar a nós essas coisas importante e a não querer apanhar o que é dispensável. Assim sendo, teremos tempo e capacidade para ter o nosso tudo, mesmo que esse seja bem diferente do tudo das nossas amigas, vizinhas, colegas, enfim, dos outros.




quinta-feira, 9 de julho de 2015

Como concretizo os quatro Pilares

Os últimos quatro posts foram sobre os pilares em que assento o meu Rumo Pessoal. Com cada um deles procuro desenvolver diferentes capacidades com um intuito final, o de preencher a minha vida com significado e valor.

Teoricamente os pilares têm sentido e articulam-se entre eles. Mas e na prática? Como é que as ideias que lhes estão subjacentes se concretizam no meu dia-a-dia?

Por forma a ter algum sentido e não escrever um texto confuso e de difícil perceção, vou esquematizar algumas das atividades que levo a cabo, agrupando-as no pilar com que mais se relacionam. No entanto, há que ter em consideração que a maior parte delas têm repercussões em mais do que um pilar.

Vamos a isso:
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Pilar | Vida Saudável, para desenvolver este pilar procuro fazer:

. 20 minutos de meditação diários, com ênfase em práticas mindfullness e aquietação de mente;
. 30 minutos diários de exercício em casa;
. 20 minutos diários de yoga em casa;
. Acordar bem cedo, cerca das 06h30 e garantir um sono diário de 7 horas;
. Ter uma alimentação equilibrada e que respeite as necessidades do meu organismo (para este fim recorri a uma nutricionista e sigo uma “dieta” – fiquei maravilhada com a reação do corpo, passei a ter uma sensação de saciedade que muito contribui para a minha serenidade);
. Check up médico anual;
. Hidratação cuidada (cuidados diários com a pele e com o cabelo, para além do cuidado com o consumo de líquidos);
. Soltar o riso (aproveito todas as oportunidades para me rir e para despertar a alegria no meu espírito).

Pilar | Viver o Agora, como pretendo cada vez mais largar o passado e o futuro e viver no presente em consciência, preocupo-me com:

. Fazer meditação específica;
. Observar a minha respiração;
. Diminuir a velocidade dos meus passos;
. Acender velas que me trazem ao presente e me transmitem serenidade;
. Observar-me enquanto desenvolvo actividades rotineiras (como retirar a maquilhagem, lavar a loiça, cortar legumes);
. Passar tempo ao ar livre;
. Evitar o multitasking;
. Tentar viver pelo coração e recusar o domínio do raciocínio;
. Dar atenção aos pormenores (apreciar a beleza de uma flor, fechar os olhos enquanto recebo um abraço da minha filha);
. Fazer leituras motivadoras (Eckhart, Osho).

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Pilar | Simplificar-me, procuro tornar-me uma pessoa mais simples através de:

. Destralhamento (das coisas, dos pensamentos, das vontades, este é um esforço que tenho diariamente, todas as oportunidades são boas para distinguir o essencial da tralha, por exemplo de uma gaveta, ou de um pensamento);
. Libertação da Agenda (diminuição de compromissos e da to do list, por exemplo tudo o que está relacionado com o que nós mulheres chamamos Spa Day, faço-o em casa. Antes tinha de marcar, de planear para organizar a agenda da família e depois tinha de estar lá, sobrecarregando a agenda. Hoje faço-o em casa. Poupo dinheiro, faço como gosto e no tempo que tenho livre sem necessidades de malabarismos de agenda);
. Atenção constante na gestão pessoal (para que a nossa vida possa ser mais simples, temos que investir no planeamento, sem ele vivemos com a mente sempre ocupada, cheia de ruído, com o que é necessário fazer e incorremos constantemente em urgências que só o são porque não as fizemos antes, como poderíamos se tivéssemos planeado);
. Atenção constante na organização (quando os nossos espaços estão organizados tudo é mais simples. É mais simples desenvolver atividades, é mais simples limpar os espaços, é mais simples conseguir descansar).

Pilar | Realizar-me, como me procuro realizar?

. Dar primazia incontestável à família;
. Com actividades relacionadas com a minha vontade de contribuir para a comunidade: voluntariado; doação de sangue; doação de bens (roupa, livros, calçado, brinquedos).
. Com actividades relacionadas com o meu desejo de transmissão de conhecimentos: blog, escrita.
. Com actividades de prazer meramente lúdico: pequenos hobbies como leitura de romances, cuidar das plantas, decoração, DIY.
. Com actividades que reforcem o meu auto-conhecimento e a minha identidade: leituras técnicas, meditação, yoga, workshops.

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Aqui ficam, de forma geral, as actividades que vou desenvolvendo no quotidiano para concretizar e fortalecer os meus Pilares. Tudo isto requer dedicação e empenho. Por isso, há um pormenor que não faz parte dos meus pilares mas que é, digamos, a condição para que eu consiga manter o meu Rumo Pessoal. Falo do Período de Revolta.

Não sou uma pessoa naturalmente rotineira. As rotinas ajudam-me mas não me dão prazer. Sou naturalmente um ser que precisa de liberdade para se exprimir e se realizar. Mas a liberdade caótica, retira-nos a verdadeira liberdade, assim tenho um compromisso comigo mesma. Aceito e promovo a rotina e o planeamento, desde que tenha a possibilidade de usufruir, com regularidade, do período de revolta. 

O que é um período de revolta? Bem é um período em que fico off. Não cumpro nada, não planeio nada, não sigo nenhuma to do list, não vejo redes sociais, não escrevo para o blog nem para o livro, não leio, não faço nada. Revolto-me e desligo-me. É um período de verdadeiro silêncio. É nele que vou buscar a motivação para continuar o meu Rumo e me dedicar a ele diariamente.


terça-feira, 7 de julho de 2015

Pilar | Realizar-me

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E por fim chego ao último dos pilares do meu Rumo Pessoal. 

Não é o menos importante, mas é o menos prioritário para mim. 

A realização pessoal é algo que por si só não subsiste. Dificilmente conseguiremos estar realizados se não estivermos saudáveis, da mesma forma que para mim é impossível realizar-me sem procurar que a minha vida seja cada vez mais simples, ou sem estar presente em consciência plena no agora. Assim, para realizar-me eu preciso de viver de acordo com os outros três pilares e dessa forma estarei, sem mais, a viver em coerência com este pilar, porque respeitar aqueles três pilares é, para mim, realizar-me.

Pode não ser prioritário, como referi inicialmente, mas o pilar realizar-me é bastante importante porque potencia uma satisfação que gera motivação e com isso promove a concretização dos restantes pilares. Enfim, estão todos interligados porque afinal, eu não sou muitas pessoas. Sou apenas uma que incorpora várias facetas que se complementam e criam esta pessoa que sou.

Ora, é esta complexidade que por vezes torna tão difícil a realização pessoal. Muitas vezes somos tão complexos e inconscientes que perdemos a noção de quem verdadeiramente somos, dos nossos valores, de modo que andamos a procurar a realização de ideias que não são as nossas e que, em última instância, não nos irão realizar.

O ponto de partida para que possamos realizar-nos é o autoconhecimento. Só com uma ideia muito real e consciente do que somos poderemos trabalhar para a nossa realização pessoal. A pressão social é muito grande e leva, os menos atentos, a ambicionarem coisas que têm valor no plano social mas nenhum em termos do auto-reconhecimento.
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Por exemplo, para mim a progressão na carreira profissional não é ascender hierarquicamente, porque não sou uma líder e tenho muita dificuldade em gerir pessoas. Para mim, progredir profissionalmente é aproximar-me cada vez mais do que gosto, que está relacionado com uma das minhas mais fortes características, a empatia, e a possibilidade de aprendizagem e evolução constante.

Da mesma forma, a nível pessoal procuro fortalecer as características que me são inerentes e que me geram bem-estar e felicidade. Não quero uma casa grande, mas quero uma decoração na qual me reconheço e sinto bem. Não quero remunerações extra, mas quero contribuir para comunidade. Não preciso de um guarda-roupa sem fim, mas preciso de ter as peças que me façam sentir em casa.

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A realização pessoal é realmente isso, sentirmo-nos em casa. Sentirmos que estamos a caminhar em direção ao que consideramos a nossa casa. É trabalharmos para que quando chegarmos ao fim do caminho, olhando para trás, surja um sorriso, no nosso rosto, de satisfação com o que somos e com o que fizemos com o tempo que nos foi concedido.

Para que possa ter esperanças nesta satisfação final, aquilo que procuro todos os dias, como realização pessoal, é dar passos em direção a mim própria, ao que sou e ao que é importante para mim. Assim, todos os dias são, ou podem ser, dias de realização. Por exemplo, para mim é importante ser uma pessoa tranquila. Por isso, sempre que permaneço tranquila, em que não grito, em que não exaspero, em que não me enraiveço chego ao final do dia com um sentimento muito gratificante de satisfação pessoal, de realização.


Da mesma forma, viver a vida sem transmitir aquilo que vou aprendendo não tem sentido. Por isso, assim que acabar este post sentirei que satisfiz o meu quarto pilar: dei mais um passo para realizar-me. 


quinta-feira, 2 de julho de 2015

Pilar | Simplificar-me

Simplificar significa tornar mais simples. Simplificar-me é tornar-me uma pessoa mais simples. Ser uma pessoa simples é ter uma vida simples, em termos de compromissos, de quotidiano, de pensamentos/ideias, de desejos/sonhos, é menos raciocínio e mais instinto/coração.

A minha via para a simplicidade ligou-se ao conceito do minimalismo, do menos ser mais. Apliquei-o em toda a abrangência da minha existência. E o minimalismo, para mim, é, em primeiro lugar, a consciência da nossa responsabilidade. Porquê?
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Muitas vezes quando compramos uma roupa nova dizemos: "é porque não tenho nada para vestir". Mas será isso mesmo verdade? Ou será simplesmente porque queremos comprar algo novo e porque não gostamos do que temos ou porque simplesmente não conseguimos otimizar o que temos fazendo diferentes combinações? Ou ainda, será que não é porque acreditamos que menos de 10 saias por estação é pouco?

Vamos decompor a ideia de que 10 saias por estação é pouco. Quantos dias tem a semana: 7 – por aqui se só tivéssemos saias e a usássemos apenas uma vez antes de ir para lavar e só lavássemos a roupa uma vez por semana, então apenas precisaríamos de 7 saias. Por isso, considerando que também temos calças e vestidos, 10 é um número para além da nossa verdadeira necessidade. Se não é por real necessidade, então será porquê? Porque não queremos repetir a mesma saia muitas vezes. Porquê? Não queremos que nos vejam como alguém com pouca roupa. Se assim é, então é porque escolhemos dar importância ao que os outros pensam. E por aí adiante.

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Mas a simplicidade não se traduz apenas nas coisas. As pessoas que deixamos entrar/ficar na nossa vida também são da nossa responsabilidade e portanto podemos simplificar. Ouço muitas vezes: “aquela pessoa dá-me cabo do juízo e só me traz coisas más, mas é da minha família tenho de aguentar”. Eu digo, não, não tens. Não temos de aguentar nada, só aguentamos porque dentro nas nossas escolhas e prioridades, cortar com aquela pessoa não é, assim tão relevante. Por isso, até isto é uma escolha nossa.

Também em termos dos nossos desejos e sonhos podemos simplificar se soubermos o que realmente é importante para nós. Quando reconhecemos o nosso relevante, podemos simplificar os nossos desejos, focando-nos no que realmente queremos e preterindo aquilo que é apenas momentâneo e supérfluo.

É a partir daqui que começamos o desapego. Desapegamo-nos das coisas e dos pensamentos, deixamos de nos identificar com eles e portanto as coisas passam a ser apenas coisas, cuja relevância se encontra apenas na sua utilidade prática e os pensamentos deixam de comandar o nosso estado de espírito. E daqui vem a liberdade. Somos livres e responsáveis pela nossa liberdade.

A simplificação ajuda-nos por isso a ter um foco maior e conseguirmos, no meio do caos, vislumbrar o nosso caminho. Quando assim é, a organização da nossa vida torna-se mais fácil, os nossos espaços passam a ser mais clean e o nosso espírito começa a sossegar e a conseguir usufruir mais. Assim, os nossos momentos de felicidade aumentam, a alegria começa a ser mais presente e a nossa disposição melhora. A partir daqui gera-se um círculo vicioso de positividade que nos inunda e nos motiva a simplificar ainda mais.


É por isto tudo que um dos meus quatro pilares é simplificar-me.


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