segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Doze Semanas para Mudar uma Vida (Augusto Cury)

Quando, em setembro, iniciei o PAIQ, o programa para a qualidade da vida de Augusto Cury, através do livro Doze Semanas para Mudar uma Vida, predispus-me a, de peito aberto, mudar a perspectiva e inverter o sentido do meu pensamento.

O programa estrutura-se em 12 passos - 12 semanas - 12 leis. Em cada um destes momentos, debruçamo-nos sobre diferentes áreas que irão influir no nosso bem-estar:

1ª semana - A Liderança do Eu
2ª semana - Contemplar o belo
3ª semana - Superar a rotina
4ª semana - Sono reparador
5ª semana - Gerir os pensamentos
6ª semana - Administração da emoção
7ª semana - Reeditar o filme do inconsciente
8ª semana - A arte de ouvir e de dialogar
9ª semana - A mesa redonda do eu
10ª semana - Trabalhar as perdas e frustrações
11ª semana - Inteligência espiritual
12ª semana - Fazer da vida uma festa


Com este programa procura-se que cada indivíduo seja capaz de delinear e seguir metas, fazendo escolhas conscientes, através de um reconhecimento sincero da suas próprias limitações. 

Desenvolve-se a capacidade de criar as próprias oportunidades e de realinhamento quando nos apercebemos de que estamos a sair da rota que queremos. Aprendemos a ser transparentes, abertos e honestos com os outros e connosco próprios, a não permitirmos que as circunstâncias nos controlem.

Ver a vida através do coração é um dos pilares deste programa, perceber a beleza das coisas simples e vulgares e viver com alegria, superando a rotina e despertando a nossa curiosidade e criatividade, é o caminho a trilhar. 

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Aprendi que o registo da memória é automático e não posso apagá-la, mas que posso reeditar o meu filme, retirando-lhe o peso negativo e criando janelas, na minha memória, que possam compensar as memórias negativas e incapacitantes que tenho.

A mim, o que mais me tocou e mudou foi a ideia de que sou livre, livre para pensar, para sentir. Não estou submissa aos pensamentos nem às emoções, posso deixá-los seguir, como nuvens que surgem mas passam. Posso escolher quais são os pensamentos a que quero dar atenção e que posso "reciclar" as emoções que me bloqueiam e me fazem reagir sem pensar. 

Todas as semanas foram maravilhosas e deram-me oportunidade de aprender e me surpreender. Todas as semanas me transformaram. Mas 5ª e 9ª semanas, puseram-me de pernas para o ar. 

Através das técnicas DCD (Duvidar/Criticar/Determinar) e Mesa-Redonda do EU aprendi a gerir os meus pensamentos e a desenvolver um debate lúcido comigo mesma. Com estas duas técnicas, encontrei-me com a minha história e pude intervir diretamente naquilo que me bloqueava. Nos meus medos e traumas, nos meus preconceitos e pensamentos redutores. Consegui apaziguar emoções e pensamentos e compreender, através das memórias, a raiz de alguns pensamentos/comportamentos negativos. 

A técnica do DCD deve ser feita no momento do "stress", a mesa redonda deve ser feita quando o momento passou mas sabemos que temos que trabalhar uma área da nossa existência. Estes diálogos fornecem-nos ferramentas e dão-nos melhores condições para superar os obstáculos psíquicos e humanizar-nos, facilitando o relacionamento connosco próprios e com os outros, através do reconhecimento das nossas limitações e fraquezas.
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O nosso mundo interior, os nossos pensamentos e emoções podem fazer com que a nossa vida seja maravilhosa ou um tormento interminável. Com este programa desenvolvi as capacidades que me permitem, com a consciência da finitude da minha existência, encontrar esperança e sentido tanto nas alegrias como nos infortúnios.

Foi uma viagem maravilhosa e muito, muito enriquecedora. Este livro, Doze Semanas para Mudar uma Vida passou a ser um tesouro que guardo bem perto de mim e a que recorro quando me vejo desalinhar. 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

O diário do stress

Estamos constantemente a falar de stress e a ouvir falar de stress. O stress passou a ser o bode expiatório para todas as nossas faltas e incumprimentos, para o nosso mau humor e para o nosso isolamento.
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Mas afinal, o que é o stress? Da forma mais simplista que consigo, defino o stress como a reação que surge quando sou obrigada a ir para lá das minhas capacidades. Sempre que vivo situações que fisica ou psicologicamente desafiam as minhas capacidades, o meu organismo produz hormonas, como a adrenalina e o cortisol, que vão influir no meu ritmo cardíaco, no meu metabolismo, na minha pressão arterial, enfim, vão ter uma influência determinante no ritmo do meu organismo como um todo.

Ora se esta reação do organismo pode ter efeitos muito positivos quando existe por um período de tempo reduzido, quando se torna no nosso modo de vida, ou seja, quando se torna uma constante no no dia-a-dia, os efeitos tornam-se muito prejudiciais.

As situações desafiantes que nos causam stress podem ser de diferentes naturezas e podem ocorrer simultaneamente. Lembro-me de situações de conflito, de situações profissionais complicadas, quer por excesso de actividades, quer por ambientes de trabalho opressivos, lembro-me de conciliação de vida profissional e pessoal demasiado complexa, lembro-me de perfeccionismo. As possibilidades são inúmeras e podem advir de elementos externos, como de elementos internos. Basta que uma pessoa com quem lidamos diariamente esteja sob stress, para que nós próprios sejamos contagiados por esse "espírito malévolo".

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Por isto tudo é fundamental que estejamos atentos aos seus sintomas, quer em nós próprios (insónias, fadiga extrema, dores de cabeça constantes, problemas digestivos, cutâneos, entre outros) quer nos outros (desleixo na aparência, mudanças de humor, isolamento, irritabilidade, entre outros).

Porque é que é importante estar atento? Porque o stress é uma reação do nosso organismo a uma situação que considera alarmante e perigosa e que se não for acautelada poderá levar a comportamentos mais radicais e mesmo a depressões e perdas de auto-confiança cuja recuperação é demorada e bastante exigente/difícil.

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Quando escrevi aqui e aqui e aqui, dei algumas ideias de como podemos evitar o stress, pelo menos de como eu o evito. Não sou imune ao stress, nada disso!, tenho momentos em que me sinto assoberbada, mas assim que me consciencializo de que estou a ir nessa direção recorro às técnicas que fui aprendendo e resguardo-me.

Uma outra técnica que permite uma visão muito clara do que nos está a gerar stress é o recurso a um diário.
Queres tentar?

É assim:

No diário deverás apontar todos os compromissos e tarefas do dia, reservando uma espaço no fim, do registo diário, para anotações dos problemas que sentiste, do tipo "muitas urgências", "reunião demorada pouco produtiva". À frente de cada uma dessas anotações deverás indicar uma solução para esse problema específico. Esta técnica irá possibilitar que identifiques as áreas de maior stress, que consigas, ao fim de alguns registos, verificar as flutuações de trabalho (períodos de maior intensidade), as actividades que mais te causam stress e, ao mesmo tempo, permitir-te-á estabelecer prioridades mais facilmente.

Que te parece?

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Um ano para a simplicidade

Quando, em junho, decidi que iria começar o caminho anual de crescimento pessoal estava longe de imaginar as repercussões positivas que essa decisão teria na minha vida.

Todos os meses tenho aprendido, experimentado e evoluído nas áreas que estabeleci. Vou a meio caminho e sinto-me mais rica e completa do que alguma vez imaginei.
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Mas o percurso fez-me entender que havia muito ainda para aprender e para caminhar, principalmente no que concerne à simplicidade. Aquilo que mais tenho aprendido, e o minimalismo (sobre o que escrevi no último post) enquanto modo de vida tem sido preponderante nesta aprendizagem, é que a nossa vida, a minha com certeza que sim, vive embrulhada em complicações.

Refiro-me a relações interpessoais complicadas, vida profissional complicada, um equilíbrio complexo entre o que tem de se fazer e o que se quer fazer, enfim, tudo complicado. É esta complicação que mais nos atrapalha e menos oportunidade nos dá de viver tranquila e conscientemente.

No meio de tanta complicação, pouco espaço sobra para vermos o que está ao nosso redor, para apreciarmos os momentos, os sabores, os cheiros. Para vivermos os cinco sentidos e mais a emoção com verdade e em sintonia com a nossa mente.

Por isso e para que isso aconteça cada vez menos comigo, vou iniciar um ano para a simplicidade.

Durante um ano vou caminhar para procurar tornar-me numa pessoa mais simples, vou fazê-lo em pequenas etapas, mensais:

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janeiro - prática de ioga
fevereiro - consumo
março - gestão doméstica
abril - comida
maio - trabalho 
junho - lazer
julho - dinheiro
agosto - mês de pausa ( em agosto paro todas as atividades. Agosto é um mês de usufruto)
setembro - relacionamento interpessoal
outubro - tralha
novembro - vida virtual
dezembro - mês de balanço

As atividades/áreas que escolhi prendem-se com o que sinto ser o melhor caminho para mim. Por exemplo, a prática do ioga tem sido um factor de desequilíbrio para mim, porque não é constante. Há alturas em que consigo fazer com regularidade e sinto os seus benefícios e depois algo se complica e não consigo manter a prática. Por isso, é minha vontade simplificar esta prática. Penso que é essencial para o meu bem-estar e acredito que se descomplicar poderei finalmente introduzi-la permanentemente na minha vida. Como? Não sei. É uma reflexão que farei em janeiro. Como janeiro está dedicado à auto-confiança, será com certeza por esta via que vou procurar colocar em prática a simplificação da minha prática do ioga. 

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Os benefícios do minimalismo

Quando escrevi sobre os meus pilares, mais propriamente do Pilar - Simplificar-me tive oportunidade de abordar o tema do minimalismo, nomeadamente naquilo que se interliga entre ele e o ato de  nos simplificarmos. 

Mas na verdade, o que ganhamos com a adopção deste modo de vida?
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Em primeiro lugar há que ter em conta que o minimalismo não é um conceito fechado, ou melhor, o conceito do minimalismo pode resultar em práticas diferentes, sendo que na sua essência ser minimalista é reduzir ao mínimo. Ora se reduzimos ao mínimo, significa que estamos a reduzir ao essencial. Muito bem, mas aqui é que surgem os diferentes caminhos, o meu essencial não é o teu essencial. E por isso, a minha forma de me concretizar enquanto minimalista pode ser totalmente diferente da tua.

Mas seja de que forma for, penso que todos terão a mesma percepção sobre os benefícios.

Para mim os que se seguem foram os mais importantes.

1. Auto-conhecimento
Ao tentarmos reduzir ao mínimo, procuraremos o que para nós é essencial, só esta busca, esta compreensão é um exercício muito eficaz de auto-conhecimento. Mas quanto mais solidificarmos este modo de vida, mais clara e distintamente o nosso interior nos surgirá. Todas as decisões irão implicar a questão a nós próprios, é importante para ti? Ao responder entraremos sempre no nosso auto-conhecimento.

2. Auto-controlo
Se as decisões nos implicarão a pergunta "é importante para ti?", isto significa que reduziremos bastante as nossas reacções imediatas e começaremos a agir por meio do auto-controlo. Parece pouco espontâneo? E é. Mas não é menos genuíno. Aliás penso que algumas vezes é até mais genuíno, porque acabamos por não agir de acordo com as situações, mas mediante a nossa própria vontade.

3. Concentração
Quanto menos distracções, maior a concentração. Quanto maior o auto-controlo, maior o nosso foco e a nossa capacidade de nos mantermos concentrados.
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4. Mais tempo
Se nos centrarmos no que é essencial, muitas actividades, coisas e relações passarão para um plano mais secundário ou, mesmo, desaparecerão. Com isto ganharemos tempo e não só tempo em quantidade, mas também em qualidade.

5. Maior responsabilidade
Se tomamos decisões ponderadas, se exercemos auto-controlo, então o nosso caminho passa de uma consequência de circunstâncias externas, para um caminhar escolhido por nós, portanto da nossa responsabilidade.

6. Maior preponderância da nossa vontade
Ao sermos responsáveis pelas nossas escolhas e caminhos, aquilo que optamos por não controlar também resulta da nossa vontade. A nossa vontade passa a ser preponderante na nossa vida e assim ganhamos liberdade.

7. Maior sentimento de paz
É a maior recompensa de todas. É um sentimento de paz que se prolonga e que se renova constantemente.

Para mim está a ser um caminho muito importante e transformador. Se optares por ele não o procures como destino, porque não o é. Procura-o como um caminho, uma jornada consciente, em que és tu quem detém o papel principal.

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