sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Para que vos quero, férias?!

Bem, bem. Cá estou eu mesmo prestes a entrar de férias!

Este ano pensei em continuar a publicar durante as férias. Como fiquei bastante tempo longe do Suspiro de Coruja, ponderei a possibilidade de continuar a publicar. Mas não vou fazê-lo. Vou parar todas as atividades, vou descansar das rotinas e dar largas ao meu viver livre.

Osho chama a atenção para a nossa noção de liberdade. Diz que normalmente queremos ser livres mas que não temos qualquer objetivo para essa liberdade. Ou seja, que o nosso desejo pela liberdade é muitas vezes pautado pela intenção negativa de querer evitar ou fugir de alguma coisa. Do trabalho por exemplo. 
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Mas diz Osho que essa não é a verdadeira liberdade. Que o desejo de sermos livres deve ser intencional, ou seja, ser impulsionado por uma intenção. Claro que é a opinião de Osho, cada um tem direito à sua, podes discordar. Eu concordo e olho para as minhas férias com intenção. 

Eu quero ser livre para poder perder horas na brincadeira com a minha filha, sem ter que vesti-la, ao cronómetro, para chegar a tempo ao trabalho. Para poder ir com ela à rua andar de bicicleta, logo a seguir ao jantar, sem ter o tempo contado para que possa dormir as horas que precisa até à manhã seguinte e, ainda assim, chegar a tempo à escola. 

Quero ser livre para poder encostar-me ao meu marido, sentir-lhe a pele e olhar para o horizonte, ver um mar imenso brilhante e ouvir as ondas rebentar. 
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Quero ser livre para me perder no meio do papel, da cola e da tesoura e dedicar-me ao scrapbooking sem estar preocupada com as horas. Quero ser livre para me poder sentar a meio da tarde e devorar um livro que me apaixone.

Esta é a intenção que impele o meu desejo de liberdade. É pequenina? Talvez seja, não quero fazer nada de grande. Mas as coisas boas da vida não precisam de ser grandes, precisam de ter significado e para mim estas pequeninas coisas trazem-me uma imensidão de momentos de felicidade e assim sendo estas pequeninas coisas são enormes.

Boas férias, meu amigo. Vive, saboreia, observa e sente. 
Sente a alegria que é viver estes dias de verão. 



quinta-feira, 11 de agosto de 2016

O Segredo de Cibele - Juliet Marillier

Encantada com as Crónicas de Bridei, senti o impulso de conhecer um pouco mais da obra de Juliet e agarrei-me ao O Segredo de Cibele, cuja capa me cativou imediatamente.

Não posso dizer que este livro me fascinou tanto como cada um das três Crónicas, mas mesmo assim serviu para consolidar, em mim, a ideia de que esta é uma das minhas autoras favoritas.

A sua escrita é fluída e encanta. Os diálogos são muito interessantes e auxiliam, não só a conhecer as personagens, como também a fortalecer as suas personalidades e a dar contornos mais vivos à história.

Trata-se de uma história passada em Istambul e a cidade e a sua cultura são muito bem descritos. A autora consegue, com verdadeira mestria nas palavras, pôr-nos a ver as cores, as misturas, a algazarra daquela cidade mercantil, fervilhante de costumes e oportunidades.

A forma como mistura a realidade com o mundo da fantasia, o Outro Reino, é também um bom demonstrativo da sua excelência. Através das palavras, Juliet abre-nos a porta para um mundo em que a forma dos seres não é aquela a que estamos habituados.

A completar tudo isto, uma doce história de amor, entre duas personagens que pouco têm em comum, mas que descobrem que o destino e a força do sentimento ultrapassam qualquer convenção.

Ah! E mais, uma das personagens principais, e muito enigmática, é o português Duarte Aguiar, que com fama de pirata sem coração, encantou-me pelas suas nuances e complexidades.

Assim é, este magnífico livro, O Segredo de Cibele.







terça-feira, 9 de agosto de 2016

Vida Simples


É moda, nos dias que correm, procurar uma vida mais simples. Já falei contigo sobre isto diversas vezes, mas hoje gostaria de fazê-lo outra vez. Como sabes decidi que em 2016 iria procurar simplificar, no sentido de descomplicar, de tornar a minha vida mais focada no essencial. Sim, isso mesmo. É isso que eu entendo por vida simples e é por isso mesmo que a considero tão apelativa e tão significante.
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Quando te falei dos meus Pilares de Vida, mencionei que um deles era precisamente o Simplificar-me. Com este pilar procurava e procuro, tornar-me numa pessoa mais simples em todos os sentidos da minha existência. Com compromissos mais simples, com uma casa mais simples, com rotinas mais simples, enfim, tudo mais simples.

Mas a simplicidade não se traduz apenas nas coisas, nem tão pouco nas relações com os outros. Estou a meio do ano para a Simplicidade e digo-te, o maior desafio que tenho encontrado, nisto de viver uma vida simples, é em mim própria. Porque quando chegamos ao ponto de nos simplificarmos enquanto pessoas, na nossa essência, tudo se torna mais difícil. Não é doar uma camisola, nem reduzir os compromissos, nem recusar convites de conveniência. Quando nos simplificamos entramos na esfera do desapego de nós próprios, das nossas facetas menos essenciais.

Para viver uma vida mais simples eu tenho que ser uma pessoa mais simples e para isso tenho de simplificar as minhas emoções, os meus pensamentos, as minhas reações. Não vou negar-me. Mas quando sinto uma qualquer emoção procuro decompô-la para perceber que emoção é no seu sentido mais simples. Retirar-lhe toda a complexidade que os meus pensamentos e instintos lhe conferem e vivê-la como ela é tão simplesmente.

É assim que tenho procurado tornar-me uma pessoa mais simples, é assim que tenho conseguido viver com maior profundidade.

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E é por isto que procurar uma vida simples é caminhar pelo trilho do auto-conhecimento. Só conseguirás ser simples se te conheceres muito bem, se souberes o que é importante/essencial para ti. Se respeitares as tuas emoções e a sua temporalidade. Se aceitares que “aquilo” é simplesmente o que estás a sentir naquele momento, não é quem és, nem a vida que tens.

Viver simples é aceitares o momento de tristeza porque naquele momento estás triste. Ponto! É viveres o momento de felicidade como ele é, um momento de felicidade tão simplesmente.


Procurar viver uma vida simples é isto, viver simplesmente sem complicar o que é tão simples, a vida.


quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Uma vida ao teu lado - Nicholas Sparks

Fazia já algum tempo que não lia Sparks. Desde que conheci este autor que a minha opinião é a de que é um bom contador de histórias, mas não é um escritor maravilhoso. Com este livro vi reforçada a minha opinião.

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Sparks é um autor de histórias românticas e bem construídas, mas sem grande profundidade. Também neste livro senti a falta de conteúdo na história e nas próprias personagens.

O livro trata de duas histórias de amor, a de Ira e Ruth e a de Luke e Sophia. A primeira é escrita no passado, ou seja, é-nos contada e a segunda assistimos ao seu desenrolar no presente.

É curioso como aquela que maior interesse me suscitou durante a leitura, a de Luke e Sophia, me deixou um sentimento de frustração e a de Ira e Ruth que pouco me impulsionou para a leitura, proporcionou, no fim, algum encanto.

Para compreenderes o que penso do livro, basta dizer-te que estava desejosa de acabá-lo, porque foram algumas as vezes em que senti que estava a perder o meu tempo com algo tão vazio.

Não que é que eu não goste de história leves e bem dispostas, gosto, e até gosto bastante. Mas esta história não foi assim. Achei que não estava bem construída que os acontecimentos foram inseridos meio que a "martelo" e que o final...enfim, como leitora senti-me defraudada.

Talvez a minha exigência depois de Lesley Pearse e de Juliet Marillier fosse exagerada. Talvez este não tivesse sido o melhor momento para ler Sparks. No entanto, não consigo deixar de concluir que, apesar de concordar que pode ser uma leitura de verão interessante para distrair, estou certa de que serão muito poucas as vezes que irei recordar este livro.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Queres ser feliz? Sê grato!

Quando escrevi este post sobre a gratidão, tive a oportunidade de refletir sobre a importância da gratidão para o nosso próprio bem-estar.

A gratidão é um estado de espírito poderoso, visto que nos aproxima de nós próprios e da atitude positiva em relação à vida.

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Quando somos gratos, olhamos para a nossa vida sem escala de comparação com os outros. Olhamos para o que de bom temos e vivemos e não nos focamos nos maus momentos, sobre os quais conseguimos, ainda, retirar lições positivas e construtivas.

Mas nem sempre é fácil sermos gratos. Quase que é uma maneira de estar na vida contrária à corrente.

Olharmos para nós próprios e para a nossa vida com aceitação e um sorriso de gratidão não é fácil. Os resultados são enormes, mas exigem trabalho inicial para quem não nasce com uma capacidade  vincada para a gratidão. 

Primeiro temos que querer ser gratos, verdadeiramente gratos. Ser grato significa esforçarmo-nos por não ouvir as nossas vozes mais mesquinhas. Para não deixarmos evoluir sentimentos negativos como a inveja e o egoísmo. Para ser gratos temos que nos desapegar do que os outros têm e focarmo-nos, apenas, no que nós temos e na sua importância e valor. Escolher ser grato exige mudança de prisma que nem sempre é fácil.

A gratidão só evoluí se estivermos sempre atentos àquilo que de bom nos acontece, relativizarmos o que não temos e focarmo-nos na importância das "insignificâncias" com que a vida nos brinda e presenteia.
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Se estás a começar, se a gratidão não é um hábito para ti, sugiro-te que marques um momento no dia para refletires sobre o que de bom tens e te acontece. Poderás, quicá, escrever um diário de gratidão. Isto irá ajudar-te muito, primeiro porque exigir-te-á maiores concentração e reflexão. Depois porque poderás olhar para trás e ter consciência da enormidade de coisas pelas quais estás grato!

Aviso-te!: a primeira vez que dás, realmente, conta dessa enormidade é um momento avassalador. Parece que acordaste, que te libertaste de um "matrix" e entras numa realidade que desconhecias.

A gratidão fará milagres por ti. Conseguirás libertar-te do consumismo exagerado, conseguirás viver o agora e apreciar as pessoas ao teu redor. Bastará isto para que a tua vida te pareça mais calma, mais delicada e alegre. Tudo te parecerá melhor e aperceber-te-ás que tens, ainda, muito mais por que estar grato!