quinta-feira, 29 de setembro de 2016

O Hipnotista - Lars Kepler

Por uma questão ou por outra, fazia já alguns anos que eu não ia à Feira do Livro de Lisboa. Este ano fui e ia determinada a comprar um livro marcante.

Optei pelo O Hipnotista de Lars Kepler. Já tinha ouvido falar maravilhas e como este tipo de thriller está longe das minhas leituras habituais, decidi-me a trazê-lo.

Feliz hora em que o escolhi.

É um livro muito bom. Com muito suspense e escrito de uma forma muito absorvente. Tem capítulos muito pequenos que nos fazem saltar de um momento para o outro e nos fazem querer saber mais e mais.

As personagens não são muito complexas, mas a trama em si mesma é, o que basta para dar uma profundidade ao livro muito satisfatória.

Tanto a história como as personagens são enredadas num fator central, a mente. É o cérebro que aqui mais comanda e é por ele e pelas condicionantes que nos gera que a história se desenvolve e as personagens agem.

Não entro muito em pormenores, não quero estragar-te a emoção de lê-lo. 


Sinopse

Erik Maria Bark é o mais famoso hipnotista da Suécia. Acusado de falta de ética, e com o casamento à beira do colapso, jurou publicamente nunca mais praticar a hipnose nos seus pacientes e há dez anos que se mantém fiel à sua promessa. Até agora.

Estocolmo. Uma família é brutalmente assassinada e a única testemunha está internada no hospital em estado de choque; Josef Ek, de apenas 15 anos, presenciou o massacre dos seus pais e irmã mais nova, sendo ele próprio encontrado numa poça de sangue, vivo por milagre.

Nessa mesma noite, Erik Maria Bark recebe um telefonema do comissário Joona Linna solicitando os seus serviços - urge descobrir a identidade do assassino e para tal Josef deverá ser hipnotizado. Erik aceita a missão com relutância, longe de imaginar que o que vai encontrar pela frente é um pesadelo capaz de ultrapassar os seus piores receios.

Dias mais tarde, o seu filho de 15 anos, Benjamin, é sequestrado da própria casa. Haverá uma ligação entre estes dois casos? Para salvar a vida de Benjamin, o hipnotista deverá enfrentar os fantasmas do seu passado e mergulhar nas mentes mais sombrias e perversas que jamais poderia imaginar; o que tinha por difuso revela-se abominável, o que tinha por suspeito surge como demoníaco. Para Erik, a contagem regressiva já começou…


Uma leitura compulsiva carregada de suspense. Um mistério caracterizado por estranhos e inesperados contornos.


terça-feira, 27 de setembro de 2016

Carpe Diem - Como?

Quantas vezes já me ouviste falar e escrever sobre aproveitar o dia ao máximo, viver com consciência? Vá, diz lá, quantas?... Sim, podes ser sincero, não faz mal. É verdade, milhentas. Passo a vida nisso! Hirra que aborrecida! ;-)

Pois é, mas vou continuar, porque é aquilo que mais sentido, beleza e magia dá aos nossos dias.

Mas então como fazer isso? Dicas? Ah, tu queres dicas…seu preguiçoso, nada de reflectir, dicas rápidas, não é? Pois eu também sou assim, adoro as dicas, rápidas, sucintas e diretas ao ponto.

Então para ti e para mim, aqui vão dicas:

Goza as rotinas que te servem de alicerce, executa-as com prazer. Nada de pensar que aborrecido fazer isto todos os dias. Foca-te na razão porque estás a fazê-lo. Imagina todo o impacto positivo que essa rotina terá na tua vida. E, claro!, quando as fazes vive o momento, sente a água, sente os movimentos dos músculos, maravilha-te com o tampo da mesa que ficou a brilhar!
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Faz-te desejar a próxima hora. Um dos segredos para vivermos enérgicos e alegres é termos alguma coisa no futuro que estamos desejosos de fazer. A antecipação. Eu adoro Scrapbooking e adoro ler, então reservo a noite, depois da pequena estar a dormir, para fazer estas atividades e, digo-te, é com enorme prazer que chego àquele momento e me sento. E mais, como sei que lá chegarei nunca estou ansiosa por lá chegar, mas vivo um sentimento muito zen de antecipação que gera em mim muita alegria.

Atreve-te a improvisar. É fundamental ter rotinas e regras, mas também é maravilhoso quebrá-las e viver um imprevisto. Oh, esqueci-me de fazer sopa! Deveria ser uma dor de cabeça, mas não, é um imprevisto. Paciência e abre-se um dia de festa lá em casa, hoje vamos festejar o dia sem sopa!!!! Dá direito a pic-nic na sala e tudo.

Pára! Quando sentires alguma sensação agradável desfruta. Se vais no carro e sentes uma brisa que te gera prazer, saboreia, ou se ao final do dia sentes o calor dourado do sol, já meio adormecido, se puderes, fecha os olhos e sente. Onde vivo ainda oiço o sino da igreja, sempre que o oiço fico quieta, a saboreá-lo, é tão bom!

Adoça as tuas memórias. Sabes que as tuas memórias de manhã serão os dias de hoje, não sabes? Queres que o teu amanhã olhe para trás e veja só memórias de aborrecimentos, de rotinas sem prazer, de obrigações? Não queres, pois não? Não te esqueças a responsabilidade é tua de fazeres com que o teu amanhã tenha recordações prazerosas do teu hoje.
Sê genuíno e vive em conformidade. Eu adoro conversar para nada. Só conversar. Estar ali a deitar palavras fora, a rir, sem objetivo nenhum. Todas as oportunidades que encontro, aproveito (sempre que não seja dramático para a família eu “perder” esse tempo). Vou te confessar, um dia eu vinha a chegar com a miúda e o meu marido viu-nos da janela. Íamos a subir as escadas e encontrámos uma vizinha e depois outra e quando chegámos a casa, o meu marido estava à porta e disse-me, meio a rir e meio aborrecido (acho que ele não sabia como se havia de sentir): “Vá lá que ouvia as vossas vozes, se não tinha pensado que vos tinha acontecido alguma coisa. Mais de 45 minutos para subir até ao segundo andar, onde é que já se viu?" Sim, é verdade, fui ficando nas escadas a conversar com quem ia encontrando…exagerada! Sou mesmo, mas adoro!! Claro que nesse dia tive que ajeitar as minhas rotinas, não há nada que resista a 45 minutos de atraso, mas que soube muito bem, soube.

Que achas? São boas as dicas? Para mim são, têm funcionado muito bem. Tens algumas para trocar comigo que eu não tenha falado? Atreve-te!


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Trilogia da Herança - Nora Robberts

Nora Robertes tem um grande impacto em mim. Não tem uma escrita que me fascina, nem comove. As histórias não são fortes nem enredadas. Mas sempre que leio um livro desta autora fico presa, rio-me, aborreço-me, fico expectante e também me enervo.

É isto que me faz gostar de ler os seus livros, é que me faz vivê-los como se estivesse lá dentro. Com pós de fadas faz magia e leva-me para outro mundo.

Esta trilogia conquistou-me, li-a em menos de nada, suspirei no fim de cada, principalmente no segundo livro e ri-me, ri-me ri-me. Atenção, o livro não é para rir, mas as personagens são muito divertidas e espirituosas e os diálogos estão muito bons.

Trata-se da história das três irmãs Concannon, filhas de Tom, as três muito diferentes, mas todas detentoras do dom da arte. 



O primeiro livro - Herança de Fogo, debruça-se sobre a Maggie, com a arte do vidro, é fogosa, apaixonada. Foi muito amada pelo pai mas tem um relacionamento conflituoso com a mãe. Maggie é só fogo, paixão e rebeldia e essas características vão marcar a sua relação com Rogan.

A Herança de Gelo, o segundo livro, trata de Brianna que tem o dom de tornar a vida acolhedora, tem uma estalagem e dedica-se à sua casa, à cozinha e às flores. Brianna rege-se pela ideia de que tem de ser conciliadora (está sempre entre a Maggie e a mãe) e servir para que os outros estejam bem. Desproveu-se de sentimentos, age intencionalmente sem paixão, tinha uma relação estável com o pai, mas desapaixonada e é o suporte da mãe. É este espírito desligado/frio e ao mesmo tempo acolhedor que irá encantar o escritor Grayson. (esta foi a personagem que mais me fez rir, Grayson conquistou-me pela alegria que me proporcionou).

Por fim, a Herança da Vergonha trata de Shannon, que tem em si o poder de desenhar.  Shannon desconhecia a sua origem e vive momentos de revolta e vergonha por ter sido gerada nas circunstância que foi. Esta história é a que considerei de menor qualidade, por vezes parece algo forçada e muito pouco terra a terra. Mesmo a sua relação com Murphy ficou, para mim, como algo inconsistente e "a martelo".

Cada uma delas, das meninas Concannon tem a sua personalidade influenciada, fortemente, pela sua relação com os seus pais, principalmente com o seu pai. É essa a herança que Tom deixou às suas filhas, a Maggie o Fogo, a Brianna o Gelo e a Shannon a Vergonha. 

A Trilogia acaba por ser um passeio pela vida de Tom, pelo que este deixou e pelas várias perspectivas que podem existir sobre acontecimentos e pessoas.



A Irlanda é descrita com amor. A forma como descreve os lugares é magnifica e transporta-nos para essa deslumbrante natureza selvagem.

Gostei bastante, refrescou-me o espírito e deixou-me muito bem disposta.


terça-feira, 20 de setembro de 2016

Pergunto...

Hoje trago-te perguntas. 

Por opção minha e por respeito pela minha natureza sempre reflecti muito. Pequenas questões, que podem parecer simples de responder, assaltam-me o espírito e conquistam-me o pensamento durante dias.

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Encontro muitas respostas, reflicto sobre elas, exploro outra perspectiva e depois outra. Por vezes não consigo formular uma opinião minha, sólida e nesses casos a semente do pensamento é colocada no solo, que é o meu cérebro, e lá fica. É alimentada pelas leituras que faço, pelas conversas que tenho, pelo que observo e um dia, um mágico dia, sem nenhuma razão aparente, germina e cresce muito rapidamente. É como se fosse uma revelação, mas não é nada disso. É apenas o resultado de uma reflexão interior que deixei amadurecer.

Ao longo dos anos tenho reflectido sobre muitas questões e hoje gostava de te falar de algumas delas. Não te vou saturar com os meus pensamentos, porque eles servem apenas para mim, mas queria partilhar contigo algumas das perguntas que fiz a mim própria e que mais impacto tiveram no meu percurso e que mais me influenciaram enquanto pessoa.

Aqui ficam:

- és a pessoa que em criança sonhaste ser?

- tens orgulho em ti, de quem és?

- quais são os valores que pautam as tuas escolhas?

- és honesta contigo própria e com os outros?

- ages por medo? ou por vontade?

- o que procuras nos outros?

- o que tentas ser para os outros?

- quais são as tuas vergonhas?

- o que fazes para teres prazer em viver?

- estás acordada? estás atenta? estás viva?

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E tu, já reflectiste sobre estas questões? Também fazes perguntas a ti próprio? 
Partilha comigo, adorava saber.



quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Deixei-te ir - Claire Mackintosh

Não sei se sabes, mas sou seguidora de alguns blogs dedicados à leitura, um deles, e pelo qual tenho uma simpatia muito especial, é o da Cris " O tempo entre os meus livros. Gosto muito das opiniões da Cris e da forma como ela é enquanto blogger. Bem hajas, Cris por todas as tuas partilhas e apoios.

No post que fez no dia 1 de agosto, a Cris deu a sua opinião sobre o livro Deixei-te ir de Claire Mackintosh. Eu tinha estado com o livro na mão, mas pelo título (que achei muito pouco apelativo) não comprei, achei que seria uma história muito levezinha e a puxar para o "romântico de cordel".

Depois de ler a opinião da Cris fiquei em pulgas e, assim que consegui, comprei o livro.

Meu amigo, foi prova, provada, que não devemos julgar nada pela sua capa. Aprende a lição, Coruja, aprende a lição.

Trata-se de uma história que nos envolve desde o início, apesar de nos parecer que pouco nos trará enquanto enredo, até que a meio do livro, hirra!, tudo fica de pernas para o ar e temos que analisar todas as opiniões que fomos construindo sobre as personagens. A Cris chamou-lhe um murro no estômago e foi, foi sim, um murro no estômago. Levei algum tempo para encaixar a ideia de que a situação era aquela e não a que eu tinha pensado. (magnífico como a autora consegue este efeito, é arte!)

A história está bem pensada, as personagens bem construídas e a narrativa muito bem estruturada. É usada a primeira pessoa, mas em diferentes pessoas, pelo que conseguimos ter uma perspectiva quase 3D de algumas personagens.

A escrita está muito bem conseguida. Não é poética, nem jornalística, fica no meio termo o que lhe confere simplicidade e clareza e torna a sua leitura acessível, fácil e rápida.

A autora consegue descrever com muito sucesso as emoções, transmiti-las de modo a que as sintamos verdadeiramente. As mais exploradas são o pânico, o medo, a impotência, a raiva/desdém, a violência. Os sentimentos são fortes e são bem transmitidos mas, para mim, ficou a nota da autora conseguir, mesmo assim, que a violência do livro não se sobreponha à história, nem às personagens, mantendo uma narrativa agradável e sã.

Estou muito grata à Cris, sem ela eu não teria lido este magnífico livro.


Sinopse:
Numa fração de segundos, um acidente trágico faz desabar o mundo de Jenna Gray, obrigando uma mãe a viver o seu pior pesadelo. Nada poderia ter feito para evitar esse acidente.
Ou poderia? Essa é a pergunta que a inquieta quando tenta deixar para trás tudo o que conhece, procurando um novo recomeço refugiada num chalé isolado na costa de Gales.

Também o detetive Ray Stevens, responsável pela investigação deste caso, começa a ser consumido pela sua entrega ao mesmo, deixando a vida pessoal e profissional à beira do precipício.

À medida que o detetive e a sua equipa vão juntando as pontas do mistério, Jenna, lentamente, permite-se vislumbrar uma luz de esperança no futuro, o que lhe dá alguma segurança, mas é o passado que está prestes a apanhá-la e as consequências serão devastadoras,


terça-feira, 13 de setembro de 2016

Conectar-me!

Após três semanas em modo off,  e este ano cheguei ao cúmulo de nem rede de telemóvel ter, quando regressei à atividade "virtual" perguntei-me se era realmente importante para mim, ou se poderia viver sem estas ligações e ser feliz.

"Valerá a pena? Qual é o significado?" perguntei-me.

Como tenho sempre presente a ideia de simplificar a minha vida e a mim própria enquanto pessoa, como já deves saber, levei esta reflexão muito a sério. Será que a presença nestas redes é essencial? Será que me traz felicidade ou alegria? Será que contribuí para a minha realização pessoal?

Vamos ver.
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Este blog. Qual é a importância do Suspiro de Coruja? Realmente já tive bastante tempo sem o ter ativo e consegui viver bastante bem sem ele. Então porque persisto na ideia de o manter vivo? O Suspiro de Coruja tem na sua razão de existência um desejo egoísta. Escrevo no Suspiro principalmente para mim. É uma forma de me manter motivada, focada, ativa e de, ao mesmo tempo, poder transmitir/partilhar aquilo que vou aprendendo.

O facebook, por outro lado, já serve um propósito mais exterior, pois uso-o como uma plataforma de ligação aos outros. A página do Suspiro de Coruja, estrutura-se na mesma ideia do blog, mas tem um conteúdo diferente, mais motivacional, mais provocador, mais tête-a-tête. No domínio pessoal, o facebook é um canal excelente para me manter ligada aos outros e receber informação sobre temas de que gosto, para aprender, ver exemplos, enfim, que de outra forma nem saberia que estavam disponíveis. Neste ponto, o youtube tem a mesma utilidade, com a vantagem de que, em termos didáticos, é muito mais eficiente. É também pelo facebook que me mantenho em grupos cujos membros têm os mesmos interesses do que eu, servindo de plataforma para troca de experiências, partilhas e para estabelecer o espírito de comunidade. Fora do facebook, mas ainda neste prisma de comunidade, a Pappers Scrappers, que é uma rede social, muito ativa e muito simpática de Scrappers, é um ponto de referência diário para mim.

Para além destes, utilizo ainda o Bloglovin, que me permite ter a atualização dos blogues de que gosto num único acesso (otimiza o meu tempo), mantendo-me atualizada nos temas que quero e o Pinterest que é a minha paixão (tanta criatividade, tanta inspiração).

E depois há o Linked In, para a área profissional, que confesso tem sido totalmente negligenciado, mas deixará de ser, tudo a seu tempo, não é?
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Por isso, sim, as redes sociais são importantes para mim. Através delas consigo:

# Inspiração
# Informação e conhecimento
# Grupos e comunidade
# Partilha

E por estes pontos, as redes sociais promovem a minha realização pessoal, porque me incitam a evoluir e a aprender, e trazem-me felicidade, através da oportunidade da partilha e da comunicação.

Por isso, à pergunta inicial "Qual o significado" respondo: manter-me informada e, principalmente, conectada, inserida, com um sentimento muito activo de pertença e de identificação que para mim gera bem-estar e felicidade.

E para ti, o que são as redes sociais?


quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Um novo amanhã - Dorothy Koomson

Não há palavras para descrever o quanto gostei deste livro. Não é pela história, não é pelo enredo, mas pela admiração com que fiquei pela autora.

Dorothy é, simplesmente, genial. Mais madura em cada livro que escreve, Dorothy consegue aliar duas coisas que eu pensava inconciliáveis, o retrato da realidade atual, dos problemas sociais com que nos deparamos, e a melodia e fantasia de uma escrita de fada.
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Trata-se de uma história de duas meninas, com o mesmo nome, que se encontram na mesma escola e nas mesmas aulas de ballet, quando têm 8 anos. É a história de duas raparigas que perante a mesma realidade reagem de diferentes maneiras. É a história de duas mulheres que com percursos distintos se encontram no mesmo ponto de agonia e de recordações.

Dorothy escreve-nos, como de costume, na primeira pessoa, conferindo à sua narrativa um tom muito íntimo. Faz-nos saltar através do tempo, ora para o passado, ora para o presente, enredando-nos com pormenores e acontecimentos como peças de um puzzle que vamos montando aos poucos.

Os temas sociais são abordados com muita simplicidade, sem se tornarem densos nem enfadonhos, mas com uma enorme profundidade. É um retrato real de emoções e de perspectivas pouco usuais.

Ao contrário dos outros livros que li desta autora, o elemento racial não é tão presente. Na entrevista que deu à Fernanda, este ano na Feira do Livro de Lisboa (lê aqui), Dorothy referiu que uma das suas personagens principais seria sempre uma mulher negra, que isso era uma das características dos seus livros, no entanto, ao contrário do que sucede nos outros livros em que a raça é apontada diretamente, neste livro é-nos apenas sugerida. Gostei tanto da forma como nos apresenta as raças das suas personagens com descrições de pequenos pormenores, como o tom da pele ou o penteado.
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O livro é repleto de passagens quase poéticas. A melodia que Dorothy atingiu na sua narrativa é surpreendente.

Deixo-vos três citações, exemplos de como esta autora atingiu um nível de excelência pouco visto.

"Era isso que mais me confundia quando era considerada uma "sem-abrigo". É como se isso significasse apenas que não tem um teto por cima da cabeça. E se, na realidade, o que nos falta forem todas as outras coisas que compõem um lar: amor, aceitação, atenção e carinho. Um sentimento de pertença. Não seremos também "sem-abrigo".

"Parece autêntico. Ao longo dos anos vi muitas facetas das pessoas. Revelam-se de tantas maneiras diferentes, aparentemente insignificantes, e, na maioria das vezes, nem sequer se dão conta de que estão a fazê-lo. Estacionam em segunda fila? Cospem para o chão? Interrompem os outros? Agradecem a quem lhes dá boleia? Tudo pequenos indicadores da alma de uma pessoa".

"Estou serena, há dedos de silêncio a alisar as orlas da minha ansiedade".

Dorothy Koomson é uma escritora de elite que tem vindo a amadurecer e a melhorar. Este livro é magnífico. Merece ser lido!


segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Vamos ao trabalho!

Este é, para mim, o verdadeiro início do ano. Somos uma família ligada ao ensino e como tal a nossa vida gira ao sabor do ano letivo e não do ano civil. Trabalho numa instituição de ensino superior e o meu marido é professor, o que condiciona bastante as nossas rotinas, agora ainda mais com a pequenita na escola.

A nível profissional, os meses de julho e agosto são dedicados a fechar o ano letivo que terminou, a tratar do arquivo, a reorganizar o workflow consoante as necessidades que fui identificando durante o ano. É também naqueles meses que preparo o próximo ano letivo. Que abro pastas, que reestruturo as ferramentas e os instrumentos que preciso para melhor operacionalizar as atividades que sei irei desenvolver no futuro. Gosto de ter tudo isto feito, o ano anterior fechado e o ano que se segue todo preparado, quando vou de férias. Assim vou descansada, sem pensamentos e projetos pendentes que possam arreliar o meu merecido descanso.
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Agora, que setembro chega, dou uma vista de olhos, relembro tudo o que decidi e projetei e arregaço mangas e inspiro....um novo ano profissional tem início! 

Em casa é tudo o mesmo. O marido fica com um novo horário e a miúda também. A família adapta-se às novas rotinas e às novas exigências. As atividades não divergem muito, são normalmente as mesmas, mas como os horários foram alterados, toda a dinâmica familiar é adaptada.

Começamos em setembro e continuaremos assim até julho, com poucas alterações, a não ser que algo radical aconteça, como sucedeu este ano, em abril, com a mudança de emprego para mim e de escola para a pequena.

A verdade é que nesta altura do ano, após um bom descanso nas férias, eu sou habitualmente pouco realista e muito ambiciosa. Costumo organizar-me de modo a incluir mais atividades do que fazia no ano anterior, sobrecarrego-me e acabo por sofrer as consequências após algum tempo, como aconteceu o ano passado em outubro

Este ano quero fazer diferente. Quero manter as atividades sem grandes alterações, tanto quanto possível, e ver se me sinto cansada novamente daqui a um mês, mais ou menos, ou se a ponderação me permite navegar calmamente pelos meses que se avizinham. 

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A realidade é que acho que as atividades que temos agora estão ajustadas às nossas necessidades e ritmos enquanto família e que nos permitem muita qualidade de vida e de usufruto. Não incluem tudo o que gostaria, mas eu também já aprendi que o segredo de ter tudo é saber o que é o tudo para mim e, de facto, o que considero mais importante é o usufruto do prazer que é viver uma vida simples com a minha família, com gozo, intenção e consciente. É este o trilho que quero percorrer neste novo ano letivo que está prestes a começar. 

Sim, estou feliz por estar de regresso!